Categoria Inovação

A tecnologia que promete ouvir os cães: como a coleira inteligente está mudando a comunicação com pets

A coleira inteligente usa inteligência artificial para interpretar emoções dos cães a partir de latidos e sinais fisiológicos. A tecnologia promete melhorar o bem-estar animal, embora especialistas recomendem cautela científica.

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A relação entre tutores e cães pode estar entrando em uma nova fase mediada pela tecnologia. Segundo reportagem publicada pelo Canal do Pet (iG), a coleira inteligente, equipada com inteligência artificial, surge como uma ferramenta capaz de interpretar emoções caninas a partir de dados fisiológicos e sonoros. Assim, comportamentos antes decifrados apenas pela intuição passam a contar com o apoio de algoritmos, sensores e análise de padrões, ampliando a compreensão sobre o que os cães sentem e expressam no dia a dia.

A coleira inteligente funciona a partir do cruzamento entre sinais corporais e padrões de latidos. Conforme descrito na matéria, o dispositivo monitora a frequência cardíaca do animal e analisa características acústicas dos sons emitidos. Dessa forma, a inteligência artificial identifica estados como estresse ou ansiedade e envia mensagens diretas ao smartphone do tutor, traduzidas em frases simples, como “estou ansioso”. Além disso, essa leitura contínua permite observar mudanças comportamentais de forma mais precisa ao longo do tempo.

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A coleira inteligente no centro da inovação global

A coleira inteligente ganhou destaque internacional com a startup sul-coreana Petpuls, que apresentou sua tecnologia na CES 2021. O sistema reconhece cinco estados emocionais — felicidade, ansiedade, tristeza, irritação e relaxamento — a partir de um banco com mais de 10 mil amostras de latidos de 50 raças, organizadas por porte. Os dados são processados por aprendizado de máquina e enviados via Wi-Fi a um aplicativo, que também monitora a saúde física por meio de um acelerômetro capaz de calcular gasto calórico por hora, dia, semana ou mês.

O avanço da coleira inteligente também movimenta cifras expressivas. A startup Traini recebeu aporte milionário e comercializa seu dispositivo por cerca de US$ 700, refletindo o alto nível tecnológico envolvido. Além disso, iniciativas como o Prêmio Coller-Dolittle, que oferece US$ 10 milhões, incentivam pesquisas para comunicação bidirecional entre humanos e animais. No campo científico, a Petpuls teve testes conduzidos pela Universidade Nacional de Seul, alcançando 80% de precisão. Ainda assim, especialistas alertam para o risco de interpretações humanizadas, defendendo cautela no uso dos dados.

Conforto, design e impacto no bem-estar

Projetada para o uso diário, a coleira inteligente da Petpuls é feita de silicone, ajustável para pescoços entre 40 cm e 80 cm, resistente à água e com bateria de 8 a 10 horas. Portanto, apesar das limitações, especialistas reconhecem que a tecnologia pode favorecer diagnósticos precoces e fortalecer o vínculo entre tutores e animais.