Em 2025, o Brasil atingiu o maior nível já registrado de abertura de empresas por mulheres, consolidando o avanço dos pequenos negócios femininos, que somaram mais de 2 milhões de novas iniciativas, o equivalente a 42% dos empreendimentos criados no país. O dado, reunido a partir de registros oficiais ao longo do ano, indica avanço direto no acesso ao empreendedorismo e na geração de renda.
No total, o país registrou 4,96 milhões de novos negócios, sendo 96% de pequeno porte. Dentro desse cenário, a presença feminina ganhou espaço sobretudo entre microempreendedoras individuais, que responderam por 1,6 milhão de novos CNPJs. O crescimento também representa mais de 320 mil novas iniciativas lideradas por mulheres em comparação com 2024. E esse avanço abre espaço para observar como esse perfil evolui nos diferentes níveis de empresa.
Pequenos negócios femininos ampliam presença, mas ainda enfrentam barreiras
Apesar do avanço nos pequenos negócios femininos, a participação diminui conforme o porte das empresas aumenta. Enquanto as mulheres representam 42% entre os MEIs, esse percentual recua para 39% nas micro e pequenas empresas.
Esse dado indica que o acesso inicial ao empreendedorismo está mais difundido, mas o crescimento dos negócios ainda encontra desafios. Entre eles, estão condições de financiamento e estrutura para expansão. Nesse contexto, iniciativas voltadas ao crédito ganham relevância prática.
Crédito com garantia integral facilita entrada no empreendedorismo
Para ampliar o acesso ao financiamento, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) estruturou o Fampe Mulher, fundo que oferece até 100% de garantia em operações de crédito para empresas lideradas por mulheres, incluindo iniciativas de pequenos negócios femininos que buscam expandir suas atividades.
Segundo o presidente do Sebrae, Décio Lima, a iniciativa foi pensada para responder a barreiras enfrentadas por esse público, como juros mais elevados. Assim, o mecanismo reduz riscos para instituições financeiras e amplia a chance de aprovação de empréstimos. E isso tende a impactar diretamente a continuidade e expansão dos negócios.
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Indústria lidera participação feminina e regiões mostram diferenças
A presença feminina varia conforme o setor econômico. Em 2025, a indústria concentrou a maior participação, com 45% dos novos negócios liderados por mulheres, seguida por serviços (44%) e comércio (43%). Já a construção civil apresenta menor presença, com 11%.
Regionalmente, o Rio de Janeiro lidera a proporção de abertura de empresas por mulheres, com 44%, seguido por Rio Grande do Sul e São Paulo, ambos com 43%. Esse padrão também aparece entre microempreendedoras individuais, com destaque novamente para o Rio de Janeiro.
Pequenos negócios femininos, nesse cenário, mostram expansão consistente em diferentes regiões e setores, ainda que com diferenças relevantes entre áreas econômicas.
A tendência aponta para maior inclusão feminina no empreendedorismo, com impacto direto na geração de renda e diversificação econômica. Com políticas de crédito mais acessíveis e expansão gradual para empresas de maior porte, os pequenos negócios femininos tendem a ganhar escala e ampliar sua presença nos próximos anos.