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A inteligência das abelhas ganhou destaque em reportagem publicada pelo portal O Antagonista, ao mostrar que esses insetos conseguem compreender algo considerado altamente abstrato: o número zero. Ao longo da história da ciência, a capacidade de representar a ausência numérica foi vista como um marco do pensamento humano, porém estudos recentes indicam que essa habilidade pode ter bases biológicas mais amplas.
Além disso, pesquisadores observaram que abelhas conseguem discriminar pequenas quantidades, associar estímulos visuais a recompensas e, surpreendentemente, tratar “nenhuma unidade” como uma condição específica. Assim, a inteligência das abelhas passa a ser vista como mais sofisticada do que se imaginava.
Inteligência das abelhas e a cognição numérica animal
A inteligência das abelhas, nesse contexto, está ligada à chamada cognição numérica animal, área que investiga como diferentes espécies percebem quantidades sem recorrer à linguagem ou a símbolos escritos. Em tarefas de escolha e recompensa, os insetos demonstram compreender relações como “mais”, “menos” e, em certas situações, “nada”.
Portanto, quando a ausência passa a ser percebida como o menor valor possível, aproxima-se o conceito matemático de zero. Além disso, estudos semelhantes com primatas e aves reforçam a ideia de que essa habilidade não é exclusiva da cultura humana.
A inteligência das abelhas chama ainda mais atenção quando comparada à própria trajetória humana com o zero. Durante séculos, “nada” foi apenas ausência, sem símbolo próprio. Povos da Índia, da Mesopotâmia e do mundo árabe foram fundamentais ao introduzir um sinal para indicar a falta de unidades em sistemas posicionais.
Consequentemente, essa inovação permitiu cálculos mais complexos e impulsionou áreas como a álgebra, a física e a computação. Ao observar que insetos também lidam funcionalmente com a ausência, pesquisadores sugerem que o zero pode ter raízes cognitivas mais antigas do que se supunha.
As vantagens evolutivas
Na natureza, a inteligência das abelhas oferece vantagens claras. Distinguir entre “nenhum predador” e “um predador”, ou entre “sem alimento” e “algum alimento”, influencia diretamente a sobrevivência. Além disso, perceber quando algo esperado não aparece favorece decisões rápidas e eficientes.
Por fim, esses achados reforçam que a inteligência das abelhas vai além da polinização, revelando soluções cognitivas elegantes para problemas complexos. Estudos futuros devem aprofundar como diferentes espécies representam a ausência numérica, ampliando a compreensão sobre a evolução da mente animal.
