Categoria Empreendedorismo

Pela primeira vez, indígenas e quilombolas terão vagas no Itamaraty

Indígenas e quilombolas passam a ter vagas reservadas no concurso do Itamaraty. O edital aplica a nova lei de cotas e amplia o acesso de povos tradicionais à carreira diplomática brasileira.

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A diplomacia brasileira começa, aos poucos, a refletir de forma mais ampla a diversidade presente no país. Nesse contexto, com a publicação de um novo edital, indígenas e quilombolas passam a contar, pela primeira vez, com vagas reservadas no concurso que seleciona novos diplomatas. Com isso, a medida amplia o acesso de povos indígenas e quilombolas a uma carreira historicamente restrita. Essa carreira está ligada à representação internacional do Estado.

Indígenas e quilombolas no concurso do Itamaraty

O edital do Instituto Rio Branco oferece 60 vagas para a carreira diplomática. Desse total, duas são destinadas a pessoas indígenas e uma a pessoas quilombolas. Assim, o edital garante espaço específico para indígenas e quilombolas, conforme os critérios da nova lei de cotas em vigor. Além dessas, há vagas para ampla concorrência, pessoas negras e pessoas com deficiência. Atualmente, o salário inicial da carreira é de R$ 22.558. As inscrições ocorrem entre 4 e 25 de fevereiro.

Apoio

As regras seguem definições legais já consolidadas para indígenas e quilombolas. No caso indígena, vale a autodeclaração associada ao reconhecimento pela comunidade. Já para candidatos quilombolas, considera-se a trajetória histórica e a autoatribuição étnico-racial. Além disso, o edital prevê verificação documental complementar. Esse processo será conduzido por comissão formada majoritariamente por integrantes das próprias comunidades tradicionais.

Ampliação do acesso à carreira diplomática

Segundo a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, a inclusão de indígenas e quilombolas no concurso representa a entrada desses grupos em espaços formais de decisão do Estado. Para ela, a presença de diplomatas indígenas contribui para levar outros saberes e experiências às relações internacionais do Brasil. Dessa forma, amplia-se a pluralidade institucional.

Essa leitura também é compartilhada pelo Ministério da Igualdade Racial. De acordo com o secretário Ronaldo dos Santos, o reconhecimento formal de indígenas e quilombolas na lei de cotas fortalece o serviço público. Isso ocorre ao incorporar trajetórias historicamente afastadas desses cargos. Assim, a carreira diplomática passa a dialogar com realidades mais amplas do país.

Formação para o concurso

Além da reserva de vagas, o Instituto Rio Branco mantém programas de apoio à preparação dos candidatos. Nesse sentido, indígenas e quilombolas podem concorrer a bolsas de estudo. O benefício financia cursos preparatórios e reduz barreiras econômicas. A seleção é conhecida pelo alto grau de exigência.

Dessa forma, a combinação entre vagas reservadas e apoio à formação tende a ampliar, ao longo do tempo, a presença de indígenas e quilombolas na diplomacia. Por fim, o edital marca uma abertura institucional. Essa iniciativa conecta diversidade, política pública e representação internacional.