Categoria Educação

Mulheres na ciência: Aluna de 18 anos desafia estatística e opta por física na USP

A aprovação de uma estudante de 18 anos em física na USP e na Unicamp expõe desafios, escolhas e oportunidades que envolvem mulheres na ciência no Brasil atual.

Participe do nosso canal no WhatsApp
Getting your Trinity Audio player ready...

A decisão de seguir carreira científica costuma nascer cedo, mas ganha peso quando confronta estatísticas consolidadas. Aos 18 anos, Agatha Nunes escolheu a física como caminho profissional ao ser aprovada na Universidade de São Paulo (USP) e na Unicamp. A escolha insere a estudante em um cenário no qual mulheres na ciência ainda ocupam menos de um quarto das matrículas no bacharelado em física no país, segundo dados oficiais.

Mulheres na ciência e os desafios da formação acadêmica

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), analisados em estudos recentes, o curso de física mantém maioria masculina, com uma razão de 2,71 homens para cada mulher ingressante. Esse desequilíbrio ajuda a explicar por que mulheres na ciência, sobretudo nas áreas exatas, seguem sub-representadas nas universidades brasileiras.

Apoio

Além disso, pesquisas publicadas na Revista Brasileira de Ensino de Física indicam que estudantes negros e oriundos da escola pública enfrentam maior evasão ao longo da graduação. Nesse contexto, a trajetória de jovens mulheres na ciência, como a de Agatha, permanece pouco frequente, especialmente em cursos que exigem alta carga teórica.

O interesse da estudante começou cedo. Segundo ela, a afinidade com astronomia surgiu na infância e se consolidou no ensino fundamental, quando teve contato formal com a disciplina. Para o professor Takeshi Kamieda, que acompanhou sua formação escolar, esse percurso mostra como a presença de mulheres na ciência depende de estímulo contínuo, dedicação acadêmica e acesso a oportunidades educacionais.

Presença feminina na pesquisa científica e no mercado

Embora a física seja associada ao magistério, o mercado de trabalho apresenta outras possibilidades para mulheres na ciência formadas na área. Conforme o relatório Future of Jobs 2023, do Fórum Econômico Mundial, profissões ligadas à análise de dados e à inteligência artificial devem crescer até 2027.

Segundo Fernanda Guglielmi, gerente de RH da Serasa Experian, físicas e físicos atuam hoje em modelagem de algoritmos e ciência de dados. Para ela, essa formação amplia o espaço de mulheres na pesquisa científica, ao desenvolver competências valorizadas no setor corporativo, como raciocínio lógico e adaptação a cenários complexos.

O analista Leonardo Valadão, físico formado pela USP, reforça essa leitura ao afirmar que a graduação ensina a estruturar problemas antes de buscar soluções. Assim, a formação fortalece a participação feminina na ciência aplicada, ampliando horizontes além do ambiente acadêmico tradicional.

Referências para estudantes

Para alcançar a aprovação, Agatha organizou a preparação em três frentes: estudo, cuidado físico e equilíbrio emocional. Segundo a estudante, aprender a lidar com ansiedade e pressão foi parte central do processo, algo recorrente em trajetórias bem-sucedidas de mulheres na ciência.

Ao falar com vestibulandos que miram 2026, ela recomenda dedicação contínua e confiança na própria trajetória. Histórias como essa ampliam referências e mostram que mulheres na ciência constroem caminhos diversos, conectando vocação, formação acadêmica e oportunidades concretas.