A discussão sobre moda sustentável na geração Z ganhou novo fôlego após reportagem da Fast Company Brasil revelar uma iniciativa da Levi’s para ensinar jovens a consertar roupas nas escolas dos Estados Unidos. Em um cenário de superprodução e descarte acelerado, a proposta reacende uma pergunta essencial: é possível transformar hábitos de consumo a partir da educação?
Segundo a publicação, 41% da geração Z afirmam não ter conhecimentos básicos de costura, como consertar um rasgo ou pregar um botão — o dobro da taxa observada entre gerações mais velhas. Esse dado revela um distanciamento progressivo das habilidades manuais, justamente em um momento em que a indústria da moda produz bilhões de peças por ano.
Educação e moda sustentável na geração Z como ferramenta de mudança
A moda sustentável na geração Z passa, portanto, por um resgate de competências práticas. Em parceria com a Discovery Education, a Levi’s desenvolveu quatro planos de aula voltados ao ensino médio. As atividades ensinam a fazer barras, consertar buracos e substituir botões, além de contextualizar impactos ambientais do fast fashion.
Conforme explicou Kimberly Wright, gerente de design instrucional da organização, as aulas não são apresentadas como economia doméstica tradicional, mas como habilidades transferíveis para diferentes carreiras. Assim, o ensino deixa de reforçar estereótipos de gênero e passa a estimular autonomia, pensamento crítico e responsabilidade ambiental.
Os limites diante do sistema
Embora a moda sustentável na geração Z avance com iniciativas educacionais, especialistas alertam para desafios estruturais. Amanda Lee McCarty, consultora de sustentabilidade e apresentadora do podcast Clotheshorse, reconhece a importância do conserto, mas ressalta que o maior problema é sistêmico.
“É como colocar um curativo em um ferimento sangrando e dizer que está resolvido, quando há questões muito maiores a enfrentar”, afirma.
Afinal, a indústria ainda inunda o mercado com roupas baratas e de baixa durabilidade, muitas feitas com tecidos sintéticos difíceis de reparar e não biodegradáveis.
Consumo consciente fortalece moda sustentável na geração Z
Ainda assim, a moda sustentável na geração Z pode ganhar força quando jovens compreendem o ciclo de vida das peças. Segundo Paul Dillinger, chefe de inovação global de produtos da Levi’s, prolongar o uso torna impossível ignorar a realidade industrial da produção.
Além disso, ensinar a consertar roupas promove empoderamento. Portanto, ao desenvolver habilidades manuais e consciência ambiental, estudantes passam a valorizar qualidade, durabilidade e impacto climático. Consequentemente, a educação pode se tornar um ponto de virada cultural.
Para aprofundar dados globais sobre impactos ambientais da indústria têxtil, consulte relatórios oficiais do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP). A transformação, embora gradual, começa com informação e atitude.
