MEC anuncia construção de 117 escolas indígenas no Brasil

O Governo Federal anunciou a construção de 117 escolas indígenas com investimento de R$ 785 milhões em 17 estados. A iniciativa integra o Novo PAC e prevê infraestrutura adaptada aos territórios, com respaldo legal e articulação entre União e estados para ampliar acesso, permanência e qualidade da educação indígena no Brasil.
Criança em comunidade tradicional durante atividade cultural ligada às escolas indígenas no Brasil
Investimento federal prevê construção de 117 escolas indígenas em 17 estados, com foco em infraestrutura adaptada aos territórios. (Foto: Prefeitura de Maricá/Fernando Silva)

O Governo Federal anunciou na quinta-feira (26/02) investimento de R$ 785 milhões para ampliar a infraestrutura educacional em territórios tradicionais, com a construção de até 117 escolas indígenas em 17 estados. A medida integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e prevê unidades adaptadas às especificidades culturais e territoriais das comunidades, ampliando o acesso à educação básica nessas regiões.

A distribuição prioriza estados da Amazônia Legal, com 27 escolas no Amazonas, 23 em Roraima e 17 no Amapá. Maranhão (11), Mato Grosso (8) e Pará (7) também estão entre os maiores beneficiados. Além do número absoluto, há um efeito prático que merece atenção: a concentração regional busca reduzir desigualdades históricas no acesso à infraestrutura escolar.

Apoio

Escolas indígenas com estrutura adaptada aos territórios

As novas escolas indígenas devem respeitar identidade cultural, organização comunitária e modos de vida locais. O objetivo é entregar espaços físicos adequados, considerando características geográficas e sociais das comunidades.

A iniciativa está amparada pela Política Nacional de Educação Escolar Indígena nos Territórios Etnoeducacionais (PNEEI-TEE), instituída pela Portaria MEC nº 539/2025. Também se apoia na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada pelo Brasil. Para o leitor, o detalhe técnico altera a forma de acesso: as obras exigem anuência das lideranças indígenas e seguem critérios territoriais e populacionais.

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Como funciona a seleção e execução das obras

A pactuação ocorre entre União e estados, com unidades previamente definidas pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi). Assim, as propostas foram formalizadas via sistema TransfereGov.

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) realiza a análise técnica preliminar das propostas das escolas indígenas, enquanto a Caixa Econômica Federal operacionaliza a execução financeira das obras. Além do investimento direto, há padronização de governança, medida que tende a reduzir entraves administrativos e dar mais previsibilidade à execução.

Interiorização e conexão com ensino superior

Durante o anúncio, em 26 de fevereiro, na comunidade Sahu-Apé (AM), o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o país tem “dívida muito grande com os povos originários” e, ao mesmo tempo, destacou que as 117 unidades devem garantir estrutura adequada aos estudantes.

Além disso, na mesma agenda, o ministro visitou obras na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que recebe R$ 106,5 milhões do Novo PAC. Nesse contexto, há recursos destinados à Faculdade de Letras (R$ 7,9 milhões) e à Faculdade de Estudos Sociais (R$ 7,4 milhões), além de investimentos em laboratórios de inteligência artificial e cibersegurança.

Escolas indígenas e o impacto na consolidação da política pública

Assim, a expansão das escolas indígenas combina infraestrutura, respaldo legal e articulação federativa. Se a execução respeitar os critérios técnicos definidos, a política pode consolidar um padrão mais estável de atendimento nos territórios etnoeducacionais. Portanto, o desafio será transformar o investimento previsto em obras concluídas dentro do cronograma e assegurar que as escolas indígenas ampliem permanência, qualidade e acesso educacional.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com experiência em produção editorial e atuação em projetos de comunicação institucional e social. Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens e conteúdos informativos pautados por critérios de checagem, ética profissional e compromisso com temas de interesse público e impacto social.