Os resultados do Censo Escolar 2025, divulgados pelo ministro da Educação, Camilo Santana, nesta quinta-feira (26/2), em Manaus (AM), indicam uma combinação relevante para a educação pública: o Brasil atingiu o maior percentual de estudantes em tempo integral da rede pública e, ao mesmo tempo, reduziu o atraso escolar no ensino médio. Na prática, mais alunos permanecem mais horas na escola e avançam com maior regularidade nas séries.
A taxa de matrículas em tempo integral chegou a 25,8%, superando a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa ao menos 25%. Em 2021, o índice era de 15,1%. No ensino médio, o percentual subiu para 26,8%, consolidando expansão iniciada nos últimos anos. Além do dado imediato, há um efeito prático que merece atenção: o aumento do tempo na escola coincide com melhora nos indicadores de progressão.
Censo Escolar 2025 mostra queda no atraso escolar
Entre 2021 e 2025, a distorção idade-série caiu de 27,9% para 17,6% no ensino médio. No 3º ano, o recuo foi ainda mais intenso, chegando a 14%. No ensino fundamental, o índice passou de 15,6% para 11,3%.
Os números indicam maior permanência e conclusão no tempo esperado. Nesse contexto, parte desse cenário está associada a políticas de incentivo, como o Pé-de-Meia, que já alcançou 5,6 milhões de estudantes do ensino médio público. Assim, para o leitor, o detalhe técnico altera a forma de acesso: a permanência escolar passa a envolver também estímulo financeiro vinculado à frequência e à conclusão.
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Infraestrutura acompanha expansão
De acordo com o Censo Escolar 2025, levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), também houve avanço na estrutura das escolas. O percentual de unidades com acesso à internet passou de 82,8% para 94,5% desde 2021, ampliando a base tecnológica da educação básica.
A conectividade adequada para uso pedagógico subiu de 45% para 70% após investimentos federais. Esse dado altera o cotidiano escolar, pois amplia o uso de recursos digitais em sala de aula.
Educação infantil e técnica avançam
Na educação infantil, 41,8% das crianças de 0 a 3 anos estão em creches, aproximando o país da meta de 50% estabelecida pelo PNE. Além disso, apenas em 2025, foram criadas 48,5 mil novas vagas, ampliando o acesso na primeira infância.
No mesmo cenário de expansão observado pelo Censo Escolar 2025, a educação profissional também atingiu recorde histórico, com 3,1 milhões de matrículas em cursos técnicos. Como resultado, segundo os dados do levantamento, a participação de estudantes do ensino médio público nessa modalidade quase dobrou desde 2021, indicando maior integração entre formação geral e qualificação profissional.
Inclusão e base de dados mais precisa
A educação especial registrou 2,5 milhões de matrículas, crescimento expressivo em relação a 2021. O percentual de estudantes com atendimento especializado alcançou o maior patamar da série histórica.
Além disso, a qualidade das informações melhorou. O registro de raça/cor com dados não declarados caiu de 25,5% para 13,6%, fortalecendo o monitoramento de desigualdades.
Censo Escolar 2025 aponta próximo desafio da política educacional
O Censo Escolar 2025 sugere que a política educacional começa a combinar expansão de acesso com melhora na permanência e na infraestrutura. O desafio passa a ser consolidar esses avanços e reduzir diferenças raciais ainda presentes no atraso escolar. Se mantido o ritmo, o país tende a transformar ampliação de matrícula em trajetória escolar mais estável e previsível para milhões de estudantes.

