O Censo Escolar 2025, divulgado na quinta-feira (26/02), indica uma mudança relevante no percurso dos estudantes brasileiros: o atraso escolar cai no país e altera de forma concreta o fluxo no ensino médio. Nesse contexto, a distorção idade-série recuou de 25,3% em 2021 para 16% em 2025, sinalizando que mais jovens estão concluindo as etapas na idade adequada.
Na prática, isso significa que menos alunos permanecem retidos por anos sucessivos e, consequentemente, conseguem avançar com maior regularidade. O próprio Inep avalia que parte da redução nas matrículas do ensino médio decorre dessa melhora no fluxo, já que estudantes que estavam atrasados conseguiram concluir a educação básica. Além do dado imediato, há um efeito estrutural que merece atenção.
No 3º ano, atraso escolar cai quase pela metade
Especificamente no último ano do ensino médio, o cenário reforça a tendência de que o atraso escolar cai de forma consistente. A distorção idade-série passou de 27,2% para 13,99% entre 2021 e 2025 — queda de 61%. Com isso, mais jovens concluem a etapa no tempo esperado. Assim, ampliam as chances de ingresso no ensino superior ou no mercado formal.
Segundo o coordenador de Estatísticas Educacionais do Inep, Fábio Pereira Bravin, os alunos “progrediram no sistema e concluíram a educação básica”.
Assim, o detalhe técnico ajuda a compreender melhor a queda nas matrículas: não se trata apenas de evasão, mas também de maior eficiência escolar.
Permanência cresce entre jovens de 15 a 17 anos
Além da melhora no fluxo, outro indicador reforça a tendência. A proporção de adolescentes de 15 a 17 anos que frequentam a escola subiu de 89% em 2019 para 93,2% em 2025. Ou seja, paralelamente à redução do atraso, mais jovens permanecem vinculados ao sistema educacional.
Nesse cenário, o ministro da Educação, Camilo Santana, atribui parte do resultado, em um contexto em que o atraso escolar cai, ao programa Pé-de-Meia, criado em 2023. A iniciativa oferece incentivo financeiro a estudantes da rede pública inscritos no CadÚnico. Além disso, funciona como uma poupança condicionada à permanência e à aprovação escolar, reforçando o avanço no fluxo educacional.
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Ensino fundamental consolidado sustenta melhora no fluxo
Ao mesmo tempo em que o atraso escolar cai no ensino médio, a melhora ocorre em um sistema que já apresenta cobertura quase total no ensino fundamental. Em 2025, 99,5% das crianças e adolescentes de 6 a 14 anos frequentam a escola, segundo estimativa baseada na Pnad do IBGE, o que reforça uma base ampla de acesso para sustentar o avanço nas etapas seguintes.
Dessa forma, cria-se uma base mais estável para as etapas seguintes. Com mais alunos ingressando e permanecendo desde os anos iniciais, o sistema tende a organizar melhor seu fluxo interno, reduzindo retenções acumuladas ao longo da trajetória escolar.
Atraso escolar cai e redefine prioridades na educação
Quando o atraso escolar cai, o impacto vai além do indicador estatístico. Em termos práticos, o país reduz distorções históricas, melhora a eficiência do investimento público e amplia as chances de trajetória educacional contínua para milhões de jovens. Se a tendência se mantiver, o foco das políticas poderá migrar da expansão do acesso para a consolidação da aprendizagem e da equidade. Trata-se de uma etapa decisiva para transformar presença em resultado.

