Categoria Educação

Educação que floresce no campo: união histórica leva alfabetização a milhares no Nordeste

Parceria entre MST, UFPE, MEC e Pronera garante alfabetização no Nordeste a mais de 16 mil pessoas. A Jornada EJA fortalece a educação popular, promove inclusão social e devolve dignidade a jovens e adultos do campo.

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O avanço da alfabetização no Nordeste ganhou um capítulo marcante com a Jornada EJA Nordeste, iniciativa que alfabetizou mais de 16 mil pessoas em toda a região. Segundo reportagem do Brasil de Fato, o projeto reuniu o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Ministério da Educação (MEC) e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) para enfrentar um dos maiores desafios educacionais do país, aliando método pedagógico, sensibilidade social e forte articulação institucional.

O avanço da alfabetização no Nordeste ganhou um capítulo marcante com a Jornada EJA Nordeste, iniciativa que alfabetizou mais de 16 mil pessoas em toda a região. Segundo reportagem do Brasil de Fato, o projeto uniu MST, UFPE, MEC e Pronera para enfrentar um dos maiores desafios educacionais do país com método, sensibilidade social e articulação institucional.

Apoio

Alfabetização no Nordeste como reparação histórica

A alfabetização no Nordeste aparece, primeiramente, como resposta a uma dívida social antiga. Agricultores, assentados da reforma agrária e trabalhadores do campo, que tiveram o estudo interrompido pelo trabalho precoce, voltaram à sala de aula. Além disso, a jornada alcançou 214 municípios, com mais de 1.400 turmas distribuídas em todos os estados da região ao longo de 2025.

Nesse contexto, histórias como a de Paulo Alexandre, agricultor de 67 anos do assentamento Oziel Pereira, na Paraíba, simbolizam o impacto concreto da alfabetização no Nordeste. “Mudou muita coisa na minha vida e no meu dia a dia”, relata.

“Agora aprendi e as coisas ficaram mais fáceis”, afirma, ao explicar como passou a registrar o banco comunitário de sementes que coordena.

Articulação institucional

A alfabetização no Nordeste só foi possível graças à articulação entre políticas públicas e movimentos sociais. O projeto foi executado por meio do Pacto Nacional Pela Superação do Analfabetismo, do MEC, em parceria com o Pronera/Incra, sob coordenação do MST e da UFPE. Contudo, as primeiras discussões surgiram ainda em 2016, sendo interrompidas por mudanças políticas nacionais e retomadas no atual governo.

“Quando formulamos a política, pensamos nos 11,4 milhões de pessoas não alfabetizadas em todo o País”, declarou Zara Figueiredo, da Secadi/MEC. Assim, a alfabetização no Nordeste foi pensada como prioridade estratégica para reduzir desigualdades históricas.

A alfabetização no Nordeste, entretanto, vai além da decodificação das palavras. “Não se trata apenas de ler e escrever, mas também transmitir a importância da problematização e crítica de nossa realidade”, explica Otávio Prema, coordenador do projeto pela UFPE. Portanto, o aprendizado dialoga com a vivência comunitária e a consciência cidadã.

Alfabetização no Nordeste e sementes de futuro

A alfabetização no Nordeste deixa frutos que ultrapassam os números. Paulo, por exemplo, planeja seguir estudando e realizar o sonho de ler livros e a Bíblia. Assim, cada turma formada representa também autonomia, dignidade e esperança renovada no campo.

Além disso, iniciativas como a Jornada EJA Nordeste reforçam o papel da educação popular no desenvolvimento regional.