Brasil pode lucrar bilhões com alta na demanda global por cobre e escassez prevista

A demanda global por cobre cresce com energia limpa e IA, enquanto a oferta pode ficar até 30% abaixo até 2035. Com reservas e novos projetos, o Brasil pode atrair bilhões em investimentos e ampliar sua participação no mercado global.
Fios de cobre ilustram alta da demanda global por cobre e uso em energia e tecnologia
Alta da demanda global por cobre impulsiona uso do metal em energia, tecnologia e infraestrutura. Foto: Reprodução)

A demanda global por cobre cresce em ritmo acelerado, impulsionada pela transição energética e pela expansão da inteligência artificial, e já pressiona os preços e a oferta no mundo. Nesse cenário, o Brasil aparece como um dos países com maior potencial para ampliar a produção e atrair bilhões em investimentos, transformando a escassez prevista em oportunidade econômica concreta.

Na prática, o país entra em uma janela rara: produzir mais justamente quando o mundo pode enfrentar falta do metal.

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Corrida global pelo cobre abre espaço para o Brasil

O cobre virou peça essencial da economia atual. Sem ele, não há redes elétricas, carros elétricos, energia solar, eólica nem data centers de inteligência artificial.

Isso muda completamente o papel do metal. Antes ligado à construção e à indústria tradicional, ele agora se torna base da nova economia digital e energética.

Esse movimento já aparece no preço. O cobre ultrapassou US$ 14.500 por tonelada em janeiro de 2026, refletindo a pressão entre uma demanda crescente e uma oferta que não acompanha no mesmo ritmo.

Ao mesmo tempo, projeções da IEA apontam um possível déficit de até 30% até 2035.

Na prática, o mundo precisa de mais cobre e rápido.

Investimentos bilionários indicam mudança de posição

Mesmo respondendo por cerca de 1% da produção global, o Brasil começa a ganhar espaço.

A previsão é de US$ 8,6 bilhões em investimentos até 2030, segundo o Ibram. Isso sinaliza uma virada: o país começa a sair de uma posição secundária para um papel mais relevante no mercado.

Grandes empresas já estão se movimentando.

A Vale anunciou US$ 3,5 bilhões em investimentos para ampliar a produção e pretende quase dobrar o volume até 2035, chegando a cerca de 700 mil toneladas por ano.

Além disso, novos projetos avançam, como o Furnas, da Ero Copper com a Vale, que pode operar por mais de 20 anos.

O efeito vai além da mineração. Mais produção significa mais exportações, mais empregos e mais entrada de recursos no país.

Novas áreas ampliam o potencial do país

O crescimento não depende só das minas atuais. O Brasil ainda tem grande espaço para descoberta de novas reservas.

O SGB colocou o cobre como prioridade e mira regiões como:

  • Carajás (PA)
  • Vale do Curaçá (BA)
  • Arco Magmático de Goiás
  • Rondônia–Juruena–Teles Pires
  • Tapajós

Essas áreas representam novas fronteiras da mineração, com potencial para ampliar a produção nos próximos anos.

Ou seja, o país não está apenas expandindo, ainda pode descobrir muito mais.

Escassez global pode aumentar os ganhos

A demanda cresce em várias frentes ao mesmo tempo.

Além da energia limpa, a inteligência artificial acelera esse consumo. Data centers, por exemplo, usam cobre em larga escala para energia, resfriamento e infraestrutura de rede.

Isso gera um efeito direto: quando a demanda sobe e a oferta não acompanha, o preço tende a subir.

Para o Brasil, isso pode significar mais receita e maior relevância no mercado global.

Na prática, o país pode transformar a falta de cobre no mundo em vantagem econômica.

Brasil entra no radar da nova economia

O avanço do cobre muda o lugar do Brasil no cenário global.

O país passa a se conectar diretamente com setores que mais crescem no mundo, como energia limpa e tecnologia.

Isso não é só exportação. É posicionamento estratégico.

O resultado é claro: mais investimentos, mais protagonismo e mais espaço na economia global.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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