A Viradouro campeã do Carnaval do Rio 2026 foi por apenas um décimo. A escola de Niterói fechou a apuração nesta quinta-feira (18/02) com 270 pontos, superando a Beija-Flor de Nilópolis, que alcançou 269,9, após três noites de desfile na Marquês de Sapucaí.
A Vila Isabel também somou 269,9 pontos, mas ficou atrás no critério de Harmonia. Salgueiro (269,7 pts), Imperatriz (269,4 pts) e Mangueira (269,2 pts) completaram o grupo que retorna no sábado (21) para o desfile das campeãs. A Acadêmicos de Niterói, com 264,6 pts, foi rebaixada para a Série Ouro. A diferença mínima ajuda a entender por que a estratégia adotada pela vermelho e branca foi determinante, especialmente levando em conta o desempenho de Viradouro campeã.
Viradouro campeã apostou na própria história
Com o enredo “Pra cima, Ciça!”, a agremiação homenageou em vida Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, de 69 anos. A escolha extrapolou o tributo simbólico e virou elemento estruturante do desfile no Grupo Especial, consolidando mais uma vez a tradição da Viradouro campeã.
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Logo na comissão de frente, Ciça surgiu em cena. A encenação incluiu a representação de sua infância no samba, a passagem pela Estácio de Sá e a transformação de um apito cenográfico nos arcos da Apoteose. Em determinado momento, simulou um mal-estar e deixou a pista em cadeira de rodas, como parte do roteiro, retornando depois à concentração. O título da Viradouro reforça o valor de narrativas bem construídas.
Pontuação máxima sob olhar de 54 jurados
Foram nove quesitos avaliados por 54 jurados, com possibilidade de descarte da menor nota. A escola recebeu dois 9,9 — em Fantasias e Samba-Enredo — ambos desconsiderados. Com isso, manteve 270 pontos válidos na leitura final de 18 de fevereiro.
A regularidade também se refletiu em Bateria, Alegorias e Adereços, Comissão de Frente e Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Cada categoria podia alcançar até quatro pontos por módulo, ampliando o peso de qualquer variação decimal em uma disputa tão equilibrada. Esse domínio técnico é característico do desempenho da Viradouro campeã.
Tradição construída desde 1946
Fundada em 24 de junho de 1946, no bairro do Viradouro, em Niterói, a escola nasceu com as cores azul e rosa e adotou o vermelho e branco a partir de 1971. Entre os fundadores estavam Nelson Jangada, Nelson Braga, Roque Soares, Paulo Dias, Lindolfo dos Santos e Otacílio Nascimento. Seus símbolos são a coroa e o aperto de mãos inter-racial. Afinal, essa tradição é o alicerce que faz da Viradouro campeã uma referência histórica e cultural do carnaval.
A quadra fica na Avenida do Contorno, nº 16, no Barreto, e a Portela é sua escola-madrinha. A agremiação mantém ainda a escola mirim Virando Esperança, criada em 2006, reforçando a formação de novos ritmistas e passistas no universo do Carnaval do Rio. Portanto, o legado educativo da Viradouro campeã representa a valorização do samba entre gerações.
Trajetória transformada em vantagem da Viradouro
Ciça esteve à frente da Estácio de Sá entre 1988 e 1997, seguiu para a Unidos da Tijuca em 1998 e integrou a Viradouro de 1999 a 2009, retornando em 2019. Pela escola, já havia conquistado os títulos de 2020 e 2024. Tal trajetória, somada ao desempenho da Viradouro campeã, demonstra que liderança e experiência são fatores decisivos.
O desfile também marcou o retorno de Juliana Paes como rainha de bateria após 18 anos e resgatou imagem de 2007, quando ritmistas desfilaram sobre alegoria. A presença de mestres de outras escolas e do carnavalesco Paulo Barros ampliou o alcance simbólico da apresentação. Consequentemente, a apresentação ainda elevou o status da Viradouro campeã no cenário do carnaval.
E agora?
A Viradouro campeã indica que, no Grupo Especial, identidade institucional e coerência narrativa tendem a pesar tanto quanto execução técnica. Ao unir tradição, planejamento e leitura precisa dos quesitos, a escola reforça um modelo competitivo baseado em consistência e domínio cênico. Em campeonatos decididos por décimos, história bem utilizada pode se converter em vantagem concreta na Sapucaí.
