Categoria Cultura

Sandálias das passistas: conheça Pedro Alberto, sapateiro há décadas de musas e rainhas do carnaval do Rio

As sandálias das passistas vão além da estética no carnaval do Rio. Produzidas artesanalmente, elas garantem firmeza no asfalto, conforto por horas de desfile e segurança para musas e rainhas que cruzam a Sapucaí.

Participe do nosso canal no WhatsApp

O brilho das fantasias costuma chamar mais atenção, porém são as sandálias das passistas que garantem firmeza, equilíbrio e continuidade ao samba durante o desfile. Sem esse calçado do carnaval, o espetáculo visual perde sustentação. Por isso, o trabalho artesanal por trás das sandálias das passistas se tornou uma parte silenciosa, porém indispensável, do carnaval carioca, especialmente pelas mãos de artesãos reconhecidos por décadas de dedicação.

Sandálias das passistas e o trabalho artesanal

Produzidas manualmente em ateliês especializados, as sandálias das passistas seguem um padrão técnico pensado para longas horas de ensaio e desfile. Cada par desse calçado de samba nasce a partir de medições precisas do pé, o que permite melhor adaptação ao corpo da sambista. Além disso, o processo prioriza acabamento cuidadoso e montagem resistente, já que o contato direto com o asfalto exige materiais duráveis e bem ajustados.

Apoio

Nesse cenário, o trabalho de Pedro Alberto se destaca. Com mais de cinco décadas dedicadas à sapataria artesanal, ele passou a ser tratado no meio do samba como um patrimônio carioca, segundo relatos de profissionais do carnaval. Radicado no Rio de Janeiro, o sapateiro construiu sua reputação ao calçar musas e rainhas de praticamente todas as escolas, sempre mantendo produção manual e equipe experiente em seu ateliê.

Segundo o próprio artesão, conforto e segurança não são detalhes estéticos. Para ele, as sandálias das passistas precisam acompanhar o ritmo do corpo, permitindo que a sambista mantenha leveza e confiança ao longo de toda a Avenida.

Calçados do samba feitos para o asfalto

Diferentemente de sandálias comuns, os calçados das passistas utilizam soluções pouco convencionais. Uma delas envolve o uso de borracha reaproveitada de pneus na sola, escolhida pela aderência ao chão quente e irregular dos ensaios de rua. Pedro Alberto explica que esse material garante firmeza no asfalto e reduz o risco de escorregões, algo decisivo para quem enfrenta horas de apresentação.

Além da sola, palmilhas reforçadas e forros resistentes evitam desconforto e rompimentos no meio do desfile. Os saltos também recebem atenção especial, pois precisam suportar impacto contínuo sem comprometer a postura. Assim, cada sandália de samba reúne técnica e experiência acumuladas ao longo de décadas de prática.

Futuro do ofício

Apesar da presença constante das sandálias das passistas em todas as escolas de samba, a produção artesanal enfrenta desafios. Pedro Alberto relata dificuldade em formar novos aprendizes, já que poucos jovens demonstram interesse em aprender a técnica manual da sapataria tradicional. Essa realidade limita o crescimento da produção, mesmo diante da procura contínua no carnaval.

Ainda assim, o cuidado com cada par mantém viva uma tradição construída ao longo de gerações. Reconhecido como patrimônio cultural do carnaval carioca, Pedro Alberto segue garantindo que as sandálias das passistas sustentem o samba com segurança, elegância e continuidade ano após ano.