A integração entre estados produtores de vestuário e matéria-prima ganhou novo impulso na terça-feira (24/02), com a realização do 1º Intercâmbio Técnico e Cultural sediado na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). Nesse contexto, a Rota da Moda avança como estratégia concreta para fortalecer a indústria têxtil e de confecção no Ceará, integrando cadeias produtivas e ampliando oportunidades de emprego formal. Com cerca de 80 mil trabalhadores com carteira assinada no setor industrial da moda, o estado passa a ocupar posição estratégica dentro da política nacional de integração produtiva.
O 1º Intercâmbio Técnico e Cultural, realizado na FIEC, reuniu representantes de seis estados: Ceará, Amapá, Alagoas, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Norte. Assim, a proposta é articular ações públicas e privadas para fortalecer toda a cadeia, do campo ao varejo. Além do dado imediato, há um efeito prático que merece atenção: a cooperação entre regiões pode reduzir custos e ampliar mercados para empresas locais.
Rota da Moda conecta indústria, qualificação e mercado
A estratégia das Rotas de Integração Nacional, coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), prioriza capacitação, intercâmbio técnico e alinhamento produtivo. Desse modo, o intercâmbio realizado no Ceará apresentou o ecossistema local, com destaque para produção industrial, centros atacadistas e design autoral.
O presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, afirmou que o diálogo entre estados permite que o setor avance de forma colaborativa. Já a chefe de gabinete do MIDR, Mariele Nascimento, destacou que a indústria exerce papel central na articulação dos elos produtivos. Assim, para o leitor, o detalhe técnico altera a forma de acesso ao mercado: a integração amplia escala e fortalece a competitividade.
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Participação feminina amplia impacto social da cadeia
A Rota da Moda reforça um dado estrutural: cerca de 70% da força de trabalho da confecção é feminina. Nesse contexto, a vice-prefeita de Fortaleza, Gabriela Aguiar, afirmou que fortalecer o setor amplia a autonomia econômica de mulheres que atuam como microempreendedoras, costureiras e gestoras de pequenos negócios.
Além disso, esse perfil impacta diretamente a renda familiar e estimula a formalização do trabalho. Assim, quando políticas produtivas alcançam setores com forte presença feminina, elas tendem a distribuir o efeito econômico de forma mais ampla e consistente.
Retomada do algodão fortalece base da indústria
Outro eixo estratégico da Rota da Moda envolve a base agrícola da cadeia produtiva. O Ceará já ocupou a liderança nacional na produção de algodão, com 1,2 milhão de quilos colhidos.
Após uma queda histórica, o governo estadual autorizou, em 2026, um programa de revitalização da cultura. A medida pode fortalecer a Rota da Moda ao reaproximar a indústria da produção local de matéria-prima.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Domingos Filho, o plantio deste ano deve superar o volume registrado antes da retração produtiva. Assim, a retomada fortalece a integração entre campo e indústria, reduz dependência externa e amplia a segurança de abastecimento.
Rota da Moda amplia renda e integração regional
Ao consolidar a Rota da Moda, o Ceará combina emprego formal, liderança feminina e reorganização da cadeia produtiva. A integração entre estados tende a ampliar mercados e qualificação técnica. Se a articulação institucional se mantiver, o setor pode ganhar escala nacional, com efeitos diretos sobre renda, competitividade e inovação industrial.

