O ritmo lambada atravessou fronteiras no fim dos anos 1980 com uma força que poucos estilos regionais alcançaram. Em um curto intervalo de tempo, a batida da lambada passou a embalar festas, programas de TV e trilhas sonoras em diferentes continentes. Por isso, para muitos ouvintes, aquela sonoridade parecia nascer naturalmente do Brasil, ainda que, na prática, a projeção internacional do ritmo lambada tenha seguido outro caminho.
Ritmo lambada e a construção de um sucesso internacional
A difusão internacional do ritmo lambada ganhou impulso quando, no cenário europeu, produtores identificaram o potencial comercial desse estilo musical. Na França, o produtor Jean Karakos estruturou o grupo Kaoma como um projeto voltado ao mercado global. Dessa forma, a proposta uniu referências caribenhas, elementos do pop europeu e traços da música brasileira, o que resultou em uma identidade facilmente reconhecível fora da América do Sul e associada à sonoridade da lambada.
Confira o clipe da banda Kaoma:
Ao mesmo tempo, a estética adotada reforçou essa leitura cultural ligada ao estilo lambada. Letras em português, cenários tropicais e coreografias marcadas ajudaram a associar o som ao Brasil. Assim, mesmo com produção e planejamento realizados em Paris, o público estrangeiro passou a identificar o grupo como representante direto da cultura brasileira vinculada ao ritmo lambada.
A batida tropical que cruzou fronteiras culturais
A canção mais conhecida do grupo, “Chorando se foi”, também contribuiu para essa percepção internacional do ritmo lambada. A música é uma adaptação de “Llorando se fue”, lançada em 1981 pelo grupo boliviano Los Kjarkas. Posteriormente, após uma disputa judicial no início dos anos 1990, os autores originais tiveram seus direitos reconhecidos. Ainda assim, foi a versão do Kaoma que consolidou o ritmo lambada em escala mundial.
Nesse contexto, a presença da cantora brasileira Loalwa Braz teve papel central para a difusão do estilo lambada. Sua voz e interpretação aproximaram o projeto do imaginário latino, funcionando, portanto, como elo entre a produção europeia e referências culturais do Brasil. Com isso, o grupo ganhou credibilidade artística junto ao público que já associava a batida da lambada a festas e dança.
Símbolo de mistura cultural
Mesmo sem origem exclusivamente brasileira, o ritmo lambada passou a integrar o repertório simbólico do país no exterior. Nesse cenário, o caso do Kaoma mostra como a indústria musical internacional constrói identidades a partir da combinação de culturas, repertórios e estratégias de mercado. Décadas depois, a história segue atual ao revelar como o ritmo lambada e outros sons regionais podem ganhar alcance global por meio de projetos multiculturais.
