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O reconhecimento internacional de um equipamento cultural brasileiro passa, agora, por Belém. Nesse contexto, com poucos meses de funcionamento, o Museu das Amazônias chama atenção fora do país ao integrar arquitetura, saberes tradicionais e produção científica em um mesmo espaço, pensado desde a concepção para dialogar diretamente com o território amazônico.
Museu das Amazônias e a arquitetura como narrativa cultural
O projeto arquitetônico do Museu das Amazônias nasceu com o objetivo de ir além da função expositiva. Segundo os arquitetos envolvidos, cada escolha construtiva carrega uma intenção pedagógica. Assim, materiais regionais, pigmentos tradicionais do Marajó e mobiliário produzido por artesãos locais integram a experiência do visitante desde a entrada.
Nesse sentido, a proposta transforma o edifício em um elemento ativo do discurso curatorial do Museu das Amazônias. Para Luís Guedes, da Guá Arquitetura, a equipe buscou permitir que o próprio espaço contasse histórias das Amazônias, por meio de símbolos, texturas e referências que, aos poucos, se revelam ao público ao longo do percurso.
Um museu amazônico pensado a partir do território
Ao contrário de museus convencionais, o Museu das Amazônias adota o conceito de tecnologia ancestral como eixo central. Dessa forma, a curadoria valoriza conhecimentos desenvolvidos por povos indígenas, quilombolas, comunidades urbanas e periféricas e conecta, de maneira direta, passado e presente.
Além disso, detalhes da fachada e do mobiliário expressam o diálogo com o clima e com os imaginários regionais. Por exemplo, elementos inspirados em serpentes aparecem como referências simbólicas compartilhadas por diferentes culturas amazônicas, o que reforça a diversidade que convive no território representado pelo museu.
Espaço vivo de educação e cultura
Do ponto de vista estrutural, o espaçoreúne dois grandes espaços expositivos, além de áreas educativas, sala multiuso e loja. Com isso, essa organização favorece a convivência entre exposições de longa duração, mostras temporárias e atividades culturais e amplia, ao longo do ano, as possibilidades de uso.
Desde a inauguração, mais de 150 mil pessoas visitaram o Museu das Amazônias, em sua maioria moradores da própria região. Para a coordenadora de comunicação, Camila Costa, esse público demonstra um sentimento de reconhecimento ao se ver representado dentro do espaço. Ao mesmo tempo, visitantes de outras regiões passam a compreender melhor a pluralidade amazônica ao vivenciar essa experiência cultural de forma concreta no museu.
