Durante a cerimônia do Oscar realizada no domingo (15/03), em Los Angeles, a atriz brasileira Alice Carvalho chamou atenção no tapete vermelho ao apresentar um vestido produzido com fibras naturais da Amazônia. A escolha levou a moda amazônica no Oscar a uma das vitrines mais observadas do cinema mundial e destacou materiais cultivados na região em um cenário de grande visibilidade internacional.
O figurino foi desenvolvido pela marca paraense Normando, comandada pelos estilistas Marco Normando e Emídio Contente. Feito sob medida para a atriz, o vestido exigiu cerca de 100 horas de execução artesanal. A escolha reforçou a presença da moda brasileira em premiações globais e ampliou o interesse por materiais originários da floresta.
Moda amazônica no Oscar conecta design e bioeconomia
O tecido utilizado no vestido mistura juta e malva amazônica, duas fibras cultivadas por famílias produtoras nos estados do Amazonas e do Pará. O cultivo ocorre sem uso de agrotóxicos ou pesticidas, com irrigação natural proporcionada por rios e igarapés da região.
Ao chegar ao tapete vermelho, a atriz apresentou não apenas um figurino, mas também uma cadeia produtiva ligada à bioeconomia amazônica. Assim, a moda amazônica no Oscar acabou evidenciando como matérias-primas regionais podem integrar o design contemporâneo e alcançar circulação internacional.
Símbolos culturais também aparecem no figurino
Outro detalhe do look foi o broche Abya Yala, desenvolvido em colaboração entre a marca Normando e a OPVS. O termo é utilizado pelo povo Kuna, do Panamá, para se referir ao continente americano e pode ser traduzido como “terra que floresce” ou “terra viva”.
Segundo Alice Carvalho, o elemento representava pertencimento e responsabilidade diante da visibilidade conquistada pelo audiovisual brasileiro, cenário em que a presença da moda amazônica no Oscar também passa a carregar símbolos culturais e narrativas do país.
“Significa pertencimento porque eu me sinto parte de um momento histórico do audiovisual brasileiro. E responsabilidade porque quando um filme ganha projeção, ele passa a carregar expectativas e símbolos”, afirmou.
Presença internacional amplia alcance das histórias brasileiras
Para a atriz, ocupar espaços como o Oscar vai além da premiação. Assim, a visibilidade internacional ajuda a ampliar o alcance das narrativas brasileiras e reforça a presença de vozes diversas no cinema global.
“Não é só sobre prêmio. É sobre abrir portas, ampliar o olhar sobre nossas histórias e criar mais espaço para diversidade de vozes”, declarou à imprensa durante a cerimônia.
Moda amazônica no Oscar e o diálogo entre cinema e cultura
Além do figurino, Alice Carvalho também comentou a fase atual da carreira. Após transformar o visual para interpretar a jogadora Marta no cinema, mudança assinada pela TRUSS Professional, a atriz apareceu no evento com cabelos soltos e definidos.
Ela afirma perceber um amadurecimento profissional.
“Os trabalhos mais recentes me colocaram em lugares de maior complexidade emocional e também de maior responsabilidade”, explicou.
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A repercussão da moda amazônica no Oscar mostra como eventos globais podem ampliar a visibilidade de materiais naturais e de cadeias produtivas regionais. Dessa forma, quando o tapete vermelho incorpora fibras cultivadas na floresta, ele conecta moda, território e economia criativa.
Esse tipo de exposição internacional tende a fortalecer o interesse por design autoral brasileiro e por matérias-primas ligadas à bioeconomia, criando novas oportunidades para produtores, estilistas e iniciativas sustentáveis do país.