A leitura na China vive um momento simbólico de maturidade cultural. Em meio a um dos maiores mercados editoriais do mundo, com centenas de milhares de títulos lançados anualmente e um ritmo estimado de 15.500 livros lidos por minuto, o hábito de ler se consolida como prática cotidiana, atravessando gerações, formatos e tecnologias. Os dados, divulgados pelo Jornal Nota, revelam não apenas números expressivos, mas uma mudança profunda na forma como o conhecimento circula no país.
A leitura na China atingiu 82,1% entre cidadãos adultos em 2024. Além disso, cada adulto leu, em média, 4,8 livros físicos e 3,5 e-books ao longo do ano. Enquanto isso, o cenário infantil chama ainda mais atenção: chineses menores de idade leram, cada um, uma média de 11,7 livros no mesmo período. Portanto, os dados indicam uma base sólida de formação leitora desde a infância, o que fortalece o ecossistema educacional e cultural do país.
Leitura na China e a revolução digital
A leitura na China também reflete a rápida integração dos meios digitais à vida diária. Conforme a Pesquisa Nacional sobre Leitura, apresentada na Conferência Nacional de Leitura em Taiyuan, cerca de 80% dos adultos leem por meio de telefones celulares, enquanto aproximadamente 40% desenvolveram o hábito de ouvir audiolivros.
Nesse contexto, Cai Yanqing, diretor da Biblioteca da Província de Shanxi, afirmou que “a leitura digital está se tornando cada vez mais popular”, destacando ainda que “hoje existe uma ampla gama de opções para diferentes públicos, como os audiolivros, que ajudam leitores mais velhos, e recursos voltados a pessoas com deficiência visual”.
Assim, a tecnologia passa a ser vista como aliada da inclusão e do acesso ao conhecimento.
Inteligência artificial e consciência crítica
A leitura na China avança também impulsionada pela inteligência artificial. Segundo Yu Hang, presidente da Migu, unidade de conteúdo digital da China Mobile, a IA tem modernizado a criação de conteúdos, a integração editorial e a difusão cultural. Contudo, o debate vai além da eficiência tecnológica.
O escritor Liu Cixin alertou que, com algoritmos cada vez mais personalizados, as pessoas podem ficar presas em bolhas de informação. Por isso, ele defende o resgate dos clássicos como base do progresso humano, lembrando que a leitura continua sendo um diálogo profundo entre o indivíduo, o mundo e o tempo.
Ao final, a leitura na China mostra que tradição e inovação não competem. Pelo contrário, caminham juntas para formar leitores mais críticos, conscientes e conectados.
