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As Helenas de Manoel Carlos atravessaram décadas da teledramaturgia brasileira com uma força que vai além da ficção. Conforme destacou a revista Galileu, a inspiração para essas protagonistas tão marcantes nasce diretamente da mitologia grega, mais especificamente da figura de Helena de Troia. Por isso, o autor construiu mulheres complexas, intensas e humanas, capazes de refletir dilemas universais em histórias profundamente contemporâneas.
As Helenas de Manoel Carlos encontram sua raiz na mitologia grega, onde Helena de Troia era filha de Zeus e Leda e considerada a mulher mais bela da Grécia. Segundo os relatos clássicos, ela foi raptada ainda jovem por Teseu, mas resgatada pelos irmãos Castor e Pólux. Posteriormente, casou-se com Menelau, rei de Esparta, embora sua história fosse marcada por conflitos, escolhas controversas e reviravoltas.
Além disso, conforme a Enciclopédia Britânica, o rapto — ou fuga — de Helena com o príncipe troiano Páris desencadeou a Guerra de Troia, evento narrado em obras centrais como Ilíada e Odisseia, de Homero. Assim, desde a Antiguidade, Helena já simbolizava ambiguidade, desejo e transformação.
Helenas de Manoel Carlos como espelho feminino
As Helenas de Manoel Carlos herdaram justamente essa complexidade. Afinal, o autor nunca escondeu que via no nome um arquétipo narrativo poderoso. Em entrevista ao Memória Globo, Manoel Carlos afirmou:
“Helena é um nome extremamente forte, e é um nome que sempre me soou como um nome de personagem”.
Dessa forma, cada Helena carrega conflitos internos, escolhas difíceis e uma força emocional que desafia padrões.
Além disso, o autor reconhecia que suas protagonistas não eram idealizadas. Pelo contrário, elas erravam, escondiam verdades e tomavam decisões moralmente ambíguas, refletindo a essência da personagem mítica.
Cultura além das novelas
As Helenas de Manoel Carlos dialogam com uma tradição cultural muito mais ampla. A própria Helena de Troia inspirou outras obras, como o filme francês Helena de Troia (1956), estrelado por Brigitte Bardot, e a música Helen of Troy (2021), da cantora Lorde. Portanto, as Helenas da TV brasileira se inserem em uma linhagem simbólica que atravessa séculos, linguagens e culturas.
Além disso, ao transportar esse mito para o cotidiano das novelas, Manoel Carlos contribuiu para aproximar o público contemporâneo de temas universais, reforçando o impacto duradouro das Helenas de Manoel Carlos na história da televisão brasileira.
