Categoria Cultura

O silêncio que virou arte: filme “Hamnet” revela o luto que moldou Shakespeare

Dirigido por Chloé Zhao, “Hamnet” transforma o luto pessoal de Shakespeare em narrativa sensível sobre perda e criação. Com Jessie Buckley e Paul Mescal, o filme é forte aposta ao Oscar 2026.

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O filme Hamnet chega aos cinemas como uma experiência sensorial rara, capaz de iluminar a dor silenciosa que antecedeu uma das maiores obras da história. Dirigido por Chloé Zhao e estrelado por Jessie Buckley e Paul Mescal, o longa parte do luto íntimo de William Shakespeare para construir uma narrativa delicada, profunda e universal sobre perda, memória e criação artística.

O filme Hamnet se concentra em um Shakespeare ainda distante da genialidade consagrada, retratando o escritor como marido e pai em um mundo assolado pela peste bubônica. Além disso, a trama acompanha sua relação com Agnes, personagem de Jessie Buckley, profundamente conectada à natureza e aos ciclos da vida. Entretanto, a morte precoce do filho Hamnet rompe o equilíbrio familiar e inaugura um vazio irreparável, vivido de formas distintas pelo casal.

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Filme Hamnet como linguagem do luto

No filme Hamnet, o luto não surge como espetáculo, mas como experiência corporal e emocional. Enquanto Agnes carrega a dor de maneira sensorial, William tenta atravessá-la pela linguagem. Quatro anos após a perda, nasce “Hamlet”, título que ecoa diretamente o nome do filho. Dessa forma, o longa sugere que a obra-prima não surge apenas como catarse, mas como tentativa de organizar o caos interno.

Segundo o historiador Stephen Greenblatt, professor de Harvard, a peste fazia parte do cotidiano do autor.

“No ano em que Shakespeare nasceu, uma parcela significativa da população da cidade dele tinha morrido por causa da peste”, afirma o pesquisador, contextualizando a atmosfera constante de ameaça que envolve o filme Hamnet.

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O filme Hamnet ganha força nas interpretações contidas. Paul Mescal apresenta um Shakespeare humano, frágil e atravessado pela ausência. Sobre essa descoberta, o dublê do ator revelou: “Quando pensamos em Shakespeare, lembramos das obras, não da família. Eu não sabia muita coisa sobre o início da carreira dele”. Já Jessie Buckley constrói uma Agnes que recusa o consolo fácil, tornando-se o coração emocional do longa.

Rumo ao Oscar 2026

Após vencer o Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático, o filme Hamnet se consolida como forte aposta ao Oscar 2026. Além disso, sob o rigor estético de Chloé Zhao, a produção transforma silêncio em permanência. Por fim, ao revelar que a arte nasce, muitas vezes, daquilo que falta, o filme Hamnet reafirma que a dor pode não curar, mas pode atravessar séculos como memória viva.