A possibilidade de identificar o DNA de Leonardo da Vinci começa a ganhar contornos científicos mais claros. Pesquisadores do do Leonardo da Vinci DNA Project analisaram vestígios genéticos em obras e documentos históricos ligados ao artista italiano. Com isso, a iniciativa amplia a compreensão sobre a autoria de peças atribuídas a ele. Além disso, ajuda a explorar aspectos humanos de sua trajetória a partir do material genético de Leonardo da Vinci.
Genética aplicada ao estudo de obras históricas
O Leonardo da Vinci DNA Project conduziu o trabalho e apresentou os resultados em artigo preliminar no servidor BioRxiv. Nesse contexto, a equipe analisou um desenho em giz vermelho atribuído a Leonardo. Também examinou cartas trocadas entre parentes masculinos da família da Vinci. O objetivo foi localizar o DNA de Leonardo da Vinci preservado ao longo do tempo. Segundo os pesquisadores, ambos os materiais apresentaram sequências compatíveis do cromossomo Y humano. Esse marcador, por sua vez, mantém-se estável ao longo das gerações paternas.
De acordo com o microbiologista Norberto Gonzalez-Juarbe, da Universidade de Maryland, os fragmentos pertencem à linhagem E1b1b. Essa linhagem se associa à Toscana, região de origem de Leonardo da Vinci. Ainda assim, ele ressalta que os resultados exigem validação adicional. Mesmo assim, os dados indicam uma conexão biológica plausível com a família do artista. Dessa forma, a hipótese sobre vestígios genéticos de Leonardo da Vinci ganha consistência.
O que o DNA revela sobre Leonardo da Vinci
A análise mostrou que cerca de 99% do material genético de Leonardo da Vinci recuperado no papel não era humano. O conteúdo incluía bactérias, fungos e plantas. Ainda assim, o conjunto ajudou a contextualizar historicamente a obra. Por exemplo, os pesquisadores identificaram vestígios ligados a laranjeiras-doces cultivadas nos jardins dos Médici. Além disso, encontraram fragmentos associados ao parasita da malária, comum na Itália central do período renascentista.
Esses dados reforçam o valor da genética como complemento aos métodos tradicionais da história da arte. Atualmente, especialistas baseiam atribuições sobretudo em estilo, pigmentos e registros documentais. Nesse sentido, a inclusão do DNA de Leonardo da Vinci em análises de obras de arte pode ampliar a precisão desses estudos. Consequentemente, também pode apoiar processos de autenticação.
Próximos passos da pesquisa genética na arte
Segundo Gonzalez-Juarbe, o próximo passo envolve obter autorização para analisar outros desenhos e cartas ligados a Leonardo da Vinci. Assim, a equipe pretende ampliar a busca por vestígios genéticos de Leonardo da Vinci em suportes históricos. Caso o genoma do artista venha a ser parcialmente reconstruído no futuro, a ciência poderá investigar características físicas. Além disso, poderá examinar hipóteses levantadas por historiadores da arte sobre sua percepção visual.
Mais do que revelar dados biológicos, o estudo aponta para uma integração duradoura entre ciência e patrimônio cultural. Dessa maneira, o DNA de Leonardo da Vinci passa a representar não apenas uma busca histórica. Ele também indica uma nova fronteira para a preservação e a compreensão da arte.
