Circo de tradição familiar vira patrimônio cultural do Brasil

O circo de tradição familiar foi reconhecido como patrimônio cultural do Brasil pelo Iphan. A decisão valoriza artistas circenses e fortalece a preservação dessa tradição transmitida entre gerações.
artistas realizam número de trapézio em apresentação de circo de tradição familiar no Brasil
Artistas se apresentam no trapézio durante espetáculo de circo de tradição familiar, tradição cultural reconhecida como patrimônio do Brasil. (Foto: Zanchettin/Arquivo Pessoal)

Após decisão do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o circo de tradição familiar passou a integrar oficialmente o patrimônio cultural do Brasil. A aprovação ocorreu nesta semana, durante reunião realizada no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.

Com o reconhecimento, o circo de tradição familiar será registrado no Livro de Registro das Formas de Expressão do Iphan, instrumento que reúne manifestações culturais consideradas relevantes para a identidade brasileira. A decisão destaca a importância dessa prática artística itinerante espalhada por diferentes regiões do país.

Apoio

Ao mesmo tempo, o registro reforça a preservação de saberes transmitidos entre gerações de artistas.

circo de tradição familiar ganha reconhecimento nacional

De acordo com o Iphan, o circo de tradição familiar se organiza em torno de núcleos familiares que mantêm técnicas, linguagens e modos de convivência próprios da atividade circense. Assim, esse conhecimento costuma ser compartilhado oralmente, dentro das próprias famílias.

A manifestação reúne apresentações que fazem parte do imaginário cultural brasileiro, como palhaços clássicos, acrobacias, trapézio, malabarismo e outras performances tradicionais.

Além do entretenimento, essas apresentações ajudam a manter viva uma memória cultural construída ao longo de décadas.

Mobilização de artistas ajudou a impulsionar o registro

O reconhecimento nacional também resulta de um processo longo de mobilização liderado por famílias circenses. O pedido oficial de registro foi protocolado no Iphan em 2005 e contou com a participação de artistas, associações e pesquisadores ligados ao setor.

Entre os grupos que participaram da articulação está o Circo de Tradição Familiar Zanchettini, fundado no Paraná em 1991. A artista circense Wanda Cabral Zanchettin impulsionou a iniciativa ao defender o reconhecimento da tradição ainda na década de 1990.

Segundo Edlamar Maria Cabral Zanchettin, filha de Wanda e integrante da companhia, o reconhecimento representa um resultado coletivo.

“É como um Oscar para o circo brasileiro, porque é para todos”, afirmou.

Tradição circense atravessa gerações de artistas

O modelo do circo de tradição familiar mantém a atividade artística dentro das próprias famílias. No caso da companhia Zanchettini, Wanda Cabral e Primo Júlio Zanchettin iniciaram a trajetória, que os dez filhos do casal continuaram ao longo do tempo.

Hoje, novas gerações também participam das apresentações, aprendendo técnicas e histórias da cultura circense desde cedo. Essa convivência cotidiana ajuda a garantir a continuidade do repertório artístico e das práticas tradicionais.

Além disso, artistas formados nesse ambiente também se apresentam em diferentes regiões do Brasil e no exterior, ampliando a presença internacional do circo brasileiro.

Leia mais:

circo de tradição familiar e perspectivas após o reconhecimento

O reconhecimento do circo de tradição familiar como patrimônio cultural pelo Iphan pode ampliar o diálogo entre companhias circenses e autoridades locais. Dessa forma, artistas esperam que o registro facilite negociações com prefeituras sobre espaços para apresentações e condições de instalação dos circos nas cidades.

Ao reconhecer oficialmente essa tradição cultural, o país reforça a importância de preservar práticas artísticas que atravessam gerações. Assim, o circo de tradição familiar ganha mais visibilidade na cultura brasileira e mantém viva uma das expressões mais populares do espetáculo itinerante.

Foto de Caroll Medeiros

Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

Mais lidas

Últimas notícias