Um levantamento divulgado neste mês de março de 2026 pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados mostra que o cinema latino-americano ampliou sua presença nas principais premiações do setor. No ranking analisado, Brasil e México lideram as conquistas internacionais, com oito vitórias cada em cerimônias como Oscar, Bafta, Globo de Ouro, Palma de Ouro, Leão de Ouro e Urso de Ouro.
Logo atrás aparece a Argentina, com sete troféus. O resultado reflete uma presença constante da região nos principais circuitos do audiovisual global e evidencia o crescimento do cinema latino-americano. Além disso, os dados indicam maior visibilidade para produções da região nos últimos anos.
Cinema latino-americano ganha destaque com filmes recentes
Entre os casos recentes que ajudam a explicar essa presença internacional estão “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, e “O Agente Secreto”, que conquistou o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa em 2026.
As duas produções brasileiras também alcançaram um resultado raro: disputaram simultaneamente as categorias de Melhor Filme e Melhor Filme Internacional no Oscar, feito que nenhum outro país latino havia registrado em anos consecutivos. Com isso, o cinema latino-americano passou a ocupar espaço mais frequente nas principais premiações do setor.
Indicadores mostram expansão das indicações internacionais
Os números de indicações reforçam essa tendência. O México aparece em primeiro lugar no ranking, com 95 nomeações por 76 filmes, enquanto o Brasil soma 90 indicações por 72 produções analisadas no levantamento.
Além disso, “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” lideram entre os longas latino-americanos mais lembrados pelas premiações estudadas, com cinco indicações cada. Na sequência aparece “Central do Brasil”, com quatro nomeações.
Esse cenário amplia a presença do cinema latino-americano nos principais festivais e reforça a capacidade das produções da região de alcançar audiências globais.
Filmes históricos ajudam a consolidar reconhecimento internacional
O levantamento também evidencia a importância de obras que marcaram a trajetória da região nas premiações internacionais. No caso brasileiro, “Central do Brasil” permanece como o filme mais premiado do país, com três troféus: Bafta, Globo de Ouro e Urso de Ouro.
Além disso, outro destaque histórico é “Roma” (2018), do diretor mexicano Alfonso Cuarón, considerado o filme latino-americano mais premiado no estudo, com quatro conquistas: Oscar, Globo de Ouro, Leão de Ouro e Bafta.
Entre os cineastas da região, Walter Salles aparece como o diretor latino-americano com maior número de indicações nas premiações analisadas. O brasileiro soma 16 nomeações por seis produções diferentes, resultado que reflete a trajetória internacional de suas obras.
Festivais internacionais ampliam espaço para produções latinas
A análise mostra ainda que diferentes premiações contribuíram para ampliar a presença do cinema latino-americano. Assim, a Palma de Ouro, principal prêmio do Festival de Cannes, reúne o maior número de indicações para obras da região, com 123 nomeações.
Já o Bafta e o Globo de Ouro aparecem como as cerimônias que mais premiaram produções latino-americanas entre as analisadas, com sete vencedores cada.
Segundo Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os resultados refletem um avanço da produção regional no circuito internacional.
“O empate do Brasil com o México nas premiações confirma o fortalecimento do nosso cinema no cenário internacional”, afirma.
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Cinema latino-americano e as perspectivas para o audiovisual da região
O desempenho recente indica que o cinema latino-americano passa por uma fase de maior projeção internacional, impulsionada tanto por novas produções quanto por trajetórias consolidadas.
À medida que festivais e premiações ampliam a visibilidade de obras da região, cresce também o espaço para coproduções, circulação internacional de filmes e reconhecimento global das narrativas latino-americanas.