Oscar, streaming e recordes de produção impulsionam o cinema brasileiro no mundo

O cinema brasileiro ganha visibilidade global com Oscar, recordes de produção audiovisual, expansão do streaming e novas oportunidades de coprodução internacional.
Cena de filmagem de O Agente Secreto com Wagner Moura e equipe, destaque do cinema brasileiro em premiações internacionais
Wagner Moura e o diretor Kleber Mendonça Filho durante gravação de O Agente Secreto, produção que reforça a projeção internacional do cinema brasileiro. (Foto: Victor Jucá/Divulgação)

Às vésperas de mais uma cerimônia do Oscar, o cinema brasileiro volta a ganhar destaque no cenário internacional. Depois da vitória histórica de Ainda Estou Aqui como melhor filme internacional na edição do ano passado, o país retorna à disputa com O Agente Secreto, indicado em quatro categorias.

Nesse contexto, o cenário ganhou novo impulso com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que chegou à temporada de premiações com quatro indicações ao Oscar e mais de 2,5 milhões de ingressos vendidos no Brasil. Assim, o desempenho reforça o interesse global por produções nacionais. Ao mesmo tempo, esse reconhecimento internacional ampliou a atenção sobre o setor audiovisual brasileiro.

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Cinema brasileiro amplia presença nas premiações e festivais

Além da repercussão nas salas de cinema, o cinema brasileiro tem marcado presença crescente em festivais internacionais. Nesse sentido, o país levou dez produções à Berlinale, na Alemanha, um dos principais eventos do circuito mundial.

Para especialistas do setor, esse cenário resulta de um processo de maturação da indústria audiovisual. Segundo Josephine Bourgois, diretora executiva do Projeto Paradiso, o Brasil passou a ser visto como parceiro viável em projetos internacionais.

Dessa forma, o reconhecimento recente também amplia as oportunidades de coprodução e circulação global das obras.

Investimentos recordes ampliam produção audiovisual

Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) indicam que o setor registrou R$ 1,41 bilhão em desembolsos públicos em 2025, o maior valor da série histórica. O montante representa crescimento de 29% em relação a 2024 e de 179% na comparação com 2021.

No mesmo período, o país alcançou 3.981 obras audiovisuais não publicitárias, outro recorde anual. Atualmente, 1.556 projetos estão em execução com apoio da agência, enquanto 3.697 produções seguem em fase de captação ou contratação.

Grande parte desse impulso vem do Fundo Setorial do Audiovisual, que contratou R$ 564 milhões em investimentos diretos no último ano.

Streaming impulsiona alcance global do cinema brasileiro

Paralelamente, o crescimento do streaming também ampliou o alcance do cinema brasileiro fora do país. Com isso, plataformas internacionais passaram a investir mais em produções nacionais para ampliar seus catálogos.

Segundo executivos do setor, as visualizações globais de conteúdo brasileiro na Netflix cresceram 60% no segundo semestre de 2025. Entre os destaques está o filme Caramelo, que permaneceu oito semanas entre os dez mais assistidos da plataforma, com cerca de 50 milhões de visualizações.

Além de ampliar o público internacional, esse cenário fortalece a presença do Brasil em mercados estratégicos do entretenimento.

Políticas públicas e mercado ajudam a sustentar o setor

Ao mesmo tempo, a estrutura de financiamento também inclui instrumentos regulatórios. A Lei 14.815/2024 prorrogou até 2033 a política de cota de tela, que reserva um número mínimo de sessões para filmes brasileiros nos cinemas.

A regra busca ampliar a diversidade de títulos exibidos e garantir maior espaço para produções nacionais em um mercado dominado por grandes lançamentos internacionais.

Para especialistas, a combinação entre financiamento público, investimentos privados e novas plataformas de distribuição ajuda a consolidar a cadeia produtiva do audiovisual.

Desafio de ampliar o público

Mesmo com o crescimento da produção, o setor ainda enfrenta desafios de distribuição. Assim, em 2025, os filmes brasileiros reuniram 11,9 milhões de espectadores, segundo levantamento do portal Filme B.

Dos 203 títulos lançados, apenas sete concentraram 73% do público total, enquanto mais da metade teve menos de mil espectadores nas salas.

Assim, analistas apontam que ampliar estratégias de circulação e lançamento será decisivo para aproximar a produção nacional do público.

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Cinema brasileiro e o próximo passo da indústria

O avanço recente mostra que o cinema brasileiro ampliou sua presença no circuito internacional e fortaleceu sua estrutura produtiva. Nesse cenário, a combinação entre reconhecimento em premiações, expansão da produção e crescimento nas plataformas digitais cria novas oportunidades para o setor.

Nos próximos anos, a continuidade das políticas de incentivo, o fortalecimento da distribuição e o aumento das coproduções internacionais podem consolidar o país como um polo relevante na indústria audiovisual global.

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Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

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