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O som das ondas, o perfume das flores e o branco que domina as praias revelam a força das celebrações do Dia de Iemanjá, vividas por milhares de brasileiros nesta segunda-feira (02/02). Mais do que rituais religiosos, as homenagens à Rainha do Mar reafirmam a ancestralidade africana, a resistência cultural e o cuidado coletivo com a natureza em diversas cidades do país.
As celebrações do Dia de Iemanjá representam um elo vivo entre espiritualidade, memória e pertencimento. Além disso, os rituais reforçam a valorização das religiões de matriz africana, promovendo respeito, visibilidade e continuidade cultural. Por isso, cada oferenda carrega gratidão, pedidos de proteção e histórias familiares transmitidas ao longo de gerações.
Celebrações do Dia de Iemanjá no Rio unem fé, cultura e sustentabilidade
No Rio de Janeiro, as celebrações do Dia de Iemanjá ganharam destaque com os 50 anos do “Presente para Iemanjá”, promovido pela Associação Recreativa Filhos de Gandhi, na Pequena África. Primeiramente, o dia começou às 7h com rituais e café da manhã comunitário. Em seguida, um cortejo seguiu até a Praça Mauá, de onde partiu a embarcação com oferendas biodegradáveis, como flores e frutas.
Além disso, na Praia do Arpoador, a 5ª Festa de Iemanjá reuniu rodas de samba, danças candomblecistas, feira gastronômica e 21 atrações com cerca de 300 artistas. Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial desde janeiro de 2026, o evento espera 30 mil participantes e termina com um mutirão de limpeza, reforçando o compromisso ambiental.
As celebrações do Dia de Iemanjá no Rio também dialogam com a história iniciada em 1950 por Tatá Tancredo. Desde então, a tradição influenciou o Réveillon de Copacabana e fortaleceu a luta pela permanência negra em espaços históricos, como o Cais do Valongo, símbolo da memória afro-brasileira.
Celebrações transformam Salvador em um mar de branco
Em Salvador, as celebrações do Dia de Iemanjá no bairro do Rio Vermelho começaram ainda na noite de domingo, com alvorada de fogos. Pescadores da Colônia Z1 e terreiros, como o Olufanjá, preparam o “presente” secreto, conduzido às 16h até o Buraco de Iaiá, em um ritual espiritual marcado por banhos e consultas aos orixás.
Além disso, a praia se transforma em um “mar branco e azul”, onde fiéis oferecem flores e perfumes em gestos de gratidão e resistência cultural. Famílias como as de Keiko Sasaki e Michele da Hora mantêm a tradição há décadas. Reconhecida como Patrimônio Imaterial desde 2020, a festa preserva sua essência religiosa, como destacam Nilo Garrido e o ogan Elias Conceição, que defendem a harmonia entre pescadores e povos de terreiro contra a mercantilização.
Celebrações do Dia de Iemanjá mantêm tradição viva no Guarujá
No Guarujá, em São Paulo, as celebrações chegaram à 20ª edição, reunindo comunidades em rituais à beira-mar. Assim, fé, tradição e ancestralidade se unem, fortalecendo laços culturais e reafirmando a importância das religiões de matriz africana no cenário nacional.
Portanto, as celebrações do Dia de Iemanjá seguem como manifestações de espiritualidade, identidade e cuidado coletivo, mantendo viva uma herança que atravessa o tempo e inspira respeito.
