Brasília sedia, entre 11 e 13 de março, um encontro internacional que reúne capitais da região para discutir preservação cultural e políticas urbanas. Durante o evento, organizado pela União de Cidades Capitais Ibero-Americanas (UCCI) no Palácio do Buriti, Brasília recebe título de Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural, reconhecimento que destaca a relevância da cidade nas iniciativas de cooperação e gestão do patrimônio entre países ibero-americanos.
A programação inclui debates sobre proteção do patrimônio material e imaterial, além da troca de experiências entre cidades que enfrentam desafios semelhantes na gestão cultural. A expectativa é ampliar o intercâmbio de estratégias de preservação entre capitais da região. Nesse sentido, o diálogo também abre caminho para iniciativas conjuntas de valorização cultural.
Brasília recebe título em encontro que reúne capitais ibero-americanas
Durante o evento, representantes das cidades discutem iniciativas voltadas à inovação em políticas públicas culturais e ao compartilhamento de práticas de gestão do patrimônio.
Segundo o secretário de Relações Internacionais do Distrito Federal, Paco Britto, o reconhecimento amplia a presença internacional da capital brasileira.
“O novo título amplia a projeção internacional de Brasília como capital do diálogo, da diplomacia e da preservação do patrimônio”, afirmou.
A iniciativa também reforça a posição da cidade dentro da rede da UCCI, que reúne 29 capitais de 24 países ibero-americanos. Assim, ao mesmo tempo, fortalece o intercâmbio institucional entre governos locais.
Rede internacional conecta cidades e experiências urbanas
A organização reúne regiões que somam cerca de 76 milhões de habitantes, que compartilham heranças culturais e idiomas semelhantes. Nesse contexto de cooperação entre capitais, o encontro em que Brasília recebe título também reforça a troca de experiências culturais e urbanas entre essas cidades.
Entre seus objetivos estão a cooperação urbana, a circulação de conhecimento e a troca de experiências entre gestores públicos responsáveis por políticas culturais.
Do Brasil, participam da rede Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, ampliando a presença brasileira nas discussões sobre patrimônio e planejamento urbano.
Além disso, os representantes pretendem apresentar, ao final do encontro, uma Carta de Compromisso comum, com diretrizes para preservação, valorização e gestão sustentável do patrimônio cultural.
Brasília recebe título que reforça legado arquitetônico
O reconhecimento dialoga com a trajetória internacional da capital brasileira, que é Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1987, quando recebeu o título da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Para a pesquisadora em arquitetura da Universidade de Brasília (UnB), Angelina Nardelli Quaglia, a capital reúne características culturais singulares.
“Brasília é uma capital reconhecida internacionalmente pela arquitetura e pelos processos culturais que aqui acontecem”, afirma.
Segundo a pesquisadora, a diversidade cultural formada por influências de diferentes regiões do país contribui para a formação de uma paisagem cultural ampla e dinâmica.
Políticas urbanas buscam proteger patrimônio da capital
Nos últimos anos, iniciativas de gestão urbana passaram a integrar as estratégias de preservação da cidade. Assim, um exemplo é o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), aprovado recentemente para orientar a proteção do patrimônio arquitetônico.
Além disso, especialistas destacam que preservar uma capital relativamente jovem exige políticas públicas permanentes e articulação entre diferentes instituições.
Nesse contexto, encontros internacionais como o realizado em Brasília podem contribuir para ampliar a troca de experiências e fortalecer políticas de preservação cultural.
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O que o reconhecimento internacional pode impulsionar
Ao mesmo tempo em que Brasília recebe título de Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural, o evento também reforça a importância da cooperação entre cidades para enfrentar desafios urbanos.
A reunião amplia o diálogo entre gestores públicos, pesquisadores e representantes institucionais, estimulando novas iniciativas voltadas à preservação cultural. Assim, a capital brasileira amplia sua participação em redes internacionais de cooperação e fortalece o debate sobre políticas urbanas voltadas à proteção do patrimônio cultural.