Categoria Cultura

Bordados de artesãs brasileiras chegam à alta-costura em Paris

Conheça como bordados feitos por artesãs brasileiras integram um desfile autoral na alta-costura de Paris e ampliam o valor do feito à mão.

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A presença dos bordados de artesãs brasileiras na alta-costura de Paris amplia, desde o início, o diálogo entre criação autoral e trabalho manual. Nesse contexto, no dia 29 de janeiro, a estilista Thayná Caiçara apresenta seu primeiro desfile solo na capital francesa, levando à passarela o trabalho artesanal brasileiro desenvolvido por mulheres de diferentes regiões do país.

Bordados de artesãs brasileiras na alta-costura

O desfile acontece na Opera Gallery, espaço reconhecido no circuito internacional de arte contemporânea. Nesse sentido, a escolha do local reforça a aproximação entre moda e expressão artística, eixo central da coleção “Minhas Paixões”. Segundo Thayná Caiçara, o ambiente traduz referências que fazem parte de seu cotidiano criativo e pessoal, o que fortalece a coerência entre espaço, conceito e os bordados de artesãs brasileiras apresentados.

Apoio

As peças apresentadas, por sua vez, revelam uma moda feminina com linhas atemporais, cores intensas e acabamento preciso. Nesse conjunto, o bordado manual brasileiro aparece como elemento estruturante, aplicado de forma localizada e minuciosa. Além disso, cada intervenção exige entre 23 e 26 horas de trabalho, o que evidencia o tempo dedicado ao processo artesanal de cada criação.

Trabalho artesanal brasileiro na moda autoral

Os bordados de artesãs brasileiras são desenvolvidos por mulheres do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. Nesse processo, a técnica da pintura à agulha ganha destaque ao representar pássaros da Mata Atlântica, como araras e beija-flores, símbolos recorrentes da marca. Ao mesmo tempo, as cores dialogam com referências afetivas de Paraty, cidade natal da estilista, ampliando a dimensão cultural do trabalho artesanal brasileiro.

Esse cuidado individual, portanto, orienta toda a construção da coleção. De acordo com material divulgado pela marca, o feito à mão sustenta a identidade das criações e direciona as decisões estéticas. Assim, os bordados de artesãs brasileiras deixam de ser complemento e passam a ocupar posição central no desenvolvimento das peças apresentadas em Paris.

Identidade criativa

Além do vestuário, o desfile também integra joias criadas como extensão visual das roupas. Produzidas na Bélgica, as peças utilizam ouro branco, amarelo e rosé, além de pedras como diamantes, rubi, peridoto e turmalina Paraíba. Dessa forma, a joalheria dialoga diretamente com o bordado manual brasileiro, reforçando a proposta de uma experiência estética integrada.

Por fim, ao retornar à Semana de Alta-Costura de Paris com um desfile autoral, Thayná Caiçara amplia a visibilidade dos bordados de artesãs brasileiras em um palco internacional. Desse modo, o encontro entre técnica manual, memória afetiva e criação contemporânea aponta caminhos possíveis para uma moda que valoriza origem, tempo e cuidado.