Categoria Cotidiano

Vini Jr. contra o racismo: luta do atleta inspira avanços contra discriminação

Vini Jr soma 20 casos de racismo em oito anos na Europa. Denúncia em Lisboa reacende debate sobre punições, crime de ódio na Espanha e mudança na lei em Portugal.

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Ao longo de oito anos no futebol europeu, a luta do jogador brasileiro Vini Jr contra o racismo transforma denúncias recorrentes em uma agenda institucional. Na terça-feira (17/02), durante Benfica x Real Madrid, no Estádio da Luz, esse histórico ganhou mais um registro formal. O atacante acusou o meia argentino Gianluca Prestianni de ter proferido ofensas racistas em campo. A partida ficou paralisada por nove minutos, a  União das Associações Europeias de Futebol (Uefa)abriu investigação e o episódio tornou-se o 20º caso oficial de discriminação enfrentado pelo jogador desde 2018.

Desde que chegou à Espanha, o brasileiro acumula registros em clássicos, jogos da Champions League e até ataques fora dos estádios. Assim, ao longo de oito anos, o que começou como insultos tratados como “provocação” evoluiu para decisões judiciais com pena de prisão e enquadramento como crime de ódio.

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Como a luta de Vini Jr contra o racismo muda a Justiça

O ponto de virada ocorreu em maio de 2023, no estádio Mestalla, em Valencia, dentro da trajetória que marca como a luta de Vini Jr contra o racismo passou a produzir efeitos concretos. Após nova denúncia e a paralisação da partida, a Justiça espanhola condenou, em junho de 2024, três torcedores a oito meses de prisão e proibiu os envolvidos de frequentar estádios por dois anos. A decisão marcou a primeira sentença com pena de prisão por racismo no futebol espanhol.

Depois disso, outras decisões avançaram. Ao todo, cinco condenações com prisão foram registradas em casos ligados ao atacante. O Supremo Tribunal da Espanha consolidou o entendimento de que insultos racistas contra pessoas negras configuram crime de ódio, inclusive em ambientes esportivos. A medida reforçou a atuação do Ministério Público e ampliou a aplicação de protocolos antirracismo no futebol espanhol.

Pressão por criminalização mais dura em Portugal

O episódio recente em Lisboa ampliou o debate fora da Espanha. Além disso, mostrou como a luta de Vini Jr contra o racismo, ultrapassa o ambiente esportivo e passa a influenciar discussões legislativas. Em Portugal, o Grupo de Ação Conjunta contra o Racismo e Xenofobia (GAC) entregou ao Parlamento uma petição com mais de 20 mil assinaturas pedindo o endurecimento do Código Penal.

A proposta prevê penas de seis meses a oito anos de prisão. Segundo o GAC, o baixo número de condenações demonstra falha na legislação atual. Já a associação Casa do Brasil, que representa e apoia a comunidade brasileira residente em Portugal, afirma que o artigo 240 exige publicidade do ato. A entidade também sustenta que tribunais interpretam a norma nos limites da liberdade de expressão, o que dificulta punições mais efetivas.

Linha do tempo expõe padrão recorrente

A trajetória inclui episódios no Camp Nou, Mallorca, Valladolid e também nas redes sociais. Em 2023, um boneco com a camisa do jogador foi pendurado em uma ponte em Madri; quatro envolvidos acabaram condenados, com penas convertidas em multas e restrições. Assim, esses casos ajudam a dimensionar como a luta de Vini Jr contra o racismo se consolidou ao longo dos anos.

Em 2025 e 2026, árbitros voltaram a acionar o protocolo da La Liga e da Copa do Rei. O caso de Lisboa ampliou a dimensão internacional, pois ocorreu na Champions League, sob regulamentação da Uefa e com repercussão global.

Esse percurso também alterou o debate público. A forma como a luta de Vini Jr contra o racismo deixou de ser vista apenas como reação individual e ganhou contornos institucionais. Ex-jogadores como Thierry Henry e Rio Ferdinand cobraram punições mais firmes, enquanto dirigentes passaram a enquadrar os episódios como problema estrutural do futebol europeu.

No cenário atual, a combinação de jurisprudência consolidada, pressão social e investigações internacionais indica que essa mobilização ultrapassou o campo esportivo e passou a influenciar decisões penais e legislativas na Europa.