Categoria Cotidiano

Verificação de idade no Grindr amplia proteção de menores no Brasil

Verificação de idade no Grindr passa a ser obrigatória no Brasil, com bloqueio de perfis até validação. Medida atende ao ECA Digital, utiliza biometria facial e ocorre em meio a investigação do MPF sobre segurança em aplicativos de relacionamento.

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Em meio ao avanço das regras de proteção digital para menores no Brasil, a verificação de idade no Grindr passou a ser obrigatória no país desde a sexta-feira (20/02), quando o aplicativo começou a bloquear perfis até a conclusão do novo processo. A medida atende ao Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, que exige controle efetivo de acesso a plataformas destinadas exclusivamente a adultos.

Antes de colocar a nova regra em vigor, na quinta-feira (19/02), o Grindr enviou avisos aos usuários cadastrados sobre a exigência. Assim, a medida vale tanto para contas novas quanto para perfis já ativos. Enquanto o usuário não concluir a validação, o aplicativo mantém o acesso suspenso.

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Como funciona a verificação de idade no Grindr

A validação ocorre apenas uma vez no Grindr. O usuário pode optar pelo envio de um vídeo selfie curto ou pela combinação de vídeo com foto de documento oficial. São aceitos CNH, passaporte, carteira de identidade, identidade digital, Registro Nacional Migratório e carteiras profissionais com foto reconhecidas oficialmente.

Para viabilizar a verificação de idade no Grindr, o aplicativo informou que utiliza tecnologia de biometria facial fornecida pela FaceTec. Segundo a empresa, o sistema criptografa os dados e exclui permanentemente os arquivos após a validação. A plataforma mantém apenas o registro do método escolhido e do resultado da checagem: aprovado ou reprovado.

Checagem etária e alcance da regra

A verificação de idade no Grindr vale exclusivamente para quem acessa a plataforma em território brasileiro. Visitantes estrangeiros também precisam realizar o procedimento se utilizarem o serviço durante estadia no país. Fora do Brasil, a solicitação não aparece.

De acordo com o Grindr, a medida busca adequação ao ECA Digital e reforça o compromisso com a segurança digital e a privacidade de dados.

“O Grindr é uma plataforma exclusiva para maiores de 18 anos, comprometida com a segurança e a privacidade de seus usuários”, declarou a empresa.

Ainda segundo o aplicativo, as informações são usadas exclusivamente para confirmação da idade mínima.

Pressão institucional

A implementação da verificação de idade no Grindr ocorre em um contexto de maior fiscalização. Em 2025, o aplicativo registrou quase 10 milhões de downloads no Brasil, que figura entre seus dez maiores mercados. Além disso, no mesmo ano, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento para apurar se aplicativos voltados ao público LGBTQIA+ adotam mecanismos eficazes de proteção.

A divulgação de crimes como roubos, extorsões, lesões corporais e homicídios ligados ao uso de plataformas de relacionamento em cidades como Distrito Federal, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo motivou a investigação. Para o procurador da República Lucas Costa Almeida Dias, criminosos já utilizam esses aplicativos como instrumento recorrente, o que transforma o problema em uma questão de segurança pública, sobretudo quando atinge usuários LGBTQIA+, cuja vulnerabilidade pode agravar condutas movidas por preconceito.

Nesse cenário, a verificação de idade no Grindr surge como resposta a uma exigência legal e ao aumento do escrutínio institucional. O resultado prático combina regulação digital, controle de acesso e reforço de protocolos de proteção. Assim, a discussão passa a envolver como plataformas adultas irão equilibrar tecnologia biométrica, privacidade e cumprimento das novas normas brasileiras.