Um estudo publicado na revista Nature Portfolio, no periódico Communications Earth & Environment, estimou que a chuva gerada pela floresta amazônica representa cerca de US$ 19,6 bilhões por ano na Amazônia Legal. Divulgada em 17 de fevereiro, a pesquisa converte o regime de precipitação em valor monetário e mostra que a Amazônia gera bilhões com um ativo invisível, reposicionando o debate ambiental ao dimensionar o peso da floresta na contabilidade do PIB brasileiro.
Segundo os autores, cada 1% de perda de floresta tropical reduz a chuva anual em 2,4 milímetros nas regiões afetadas. No caso amazônico, essa relação é ainda mais intensa: a redução chega a cerca de 3 milímetros por ano. Em termos físicos, cada metro quadrado de floresta contribui com aproximadamente 300 litros de chuva por ano.
Por que a Amazônia gera bilhões sem aparecer no orçamento
Para estimar esse cálculo que ajuda a explicar por que a Amazônia gera bilhões, os pesquisadores usaram como referência o preço médio da água aplicada na agricultura brasileira. O resultado aponta que cada hectare de floresta gera cerca de US$ 59 (R$ 305) por ano em serviços de precipitação. A margem de incerteza é relevante, mas permanece estruturalmente elevada dentro da estimativa do valor econômico da Amazônia.
A metodologia combinou simulações climáticas da geração CMIP6, principal base internacional de modelos que projetam respostas do sistema climático, com dados observacionais de satélite. Assim, ao integrar modelagem e evidências empíricas, o estudo reforça a robustez estatística da relação entre cobertura florestal e regime de chuvas. Essa base técnica sustenta a conclusão de que a Amazônia gera bilhões em serviços climáticos.
Floresta como infraestrutura climática
Pesquisas em curso no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP) indicam que o desmatamento reduz o volume de água que abastece diversas usinas hidrelétricas da região central do país. Segundo os pesquisadores da USP, a alteração no ciclo hidrológico já afeta a geração de energia. Esse efeito reforça como a Amazônia gera bilhões ao sustentar fluxos hídricos essenciais.
Além disso, economistas avaliam que a perda de floresta pode funcionar como um choque de oferta agrícola. Nessa leitura, menos cobertura vegetal reduz a regularidade das chuvas, amplia a volatilidade de safras e pressiona cadeias dependentes de clima estável, impactando diretamente o valor econômico associado ao bioma.
Esse valor econômico da Amazônia também dialoga com o mercado financeiro. Analistas observam que maior instabilidade climática tende a elevar o custo de capital de setores expostos à variabilidade hídrica, sobretudo agricultura e energia.
Em meio à transição energética e à crescente precificação de riscos climáticos, a floresta passa a ser vista como um ativo gerador de fluxo econômico. Ainda assim, não aparece nos balanços tradicionais. Ao ser mensurado, o cálculo ajuda a explicar por que a Amazônia gera bilhões. Com isso, o debate deixa de tratar preservação como gasto e passa a enquadrá-la como variável estrutural de crescimento.
Leia no link abaixo o estudo sobre o valor econômico da Amazônia:
Nature Portfolio
