Categoria Cotidiano

Alemanha vive escassez histórica de profissionais e abre portas para estrangeiros

A Alemanha precisa atrair 300 mil trabalhadores qualificados por ano. Enfermeiros e profissionais de TI encontram oportunidades, mas enfrentam burocracia e desafios políticos. Entenda o cenário e o que significa trabalhar no país europeu.

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A busca por estabilidade financeira tem levado milhares de profissionais a considerar trabalhar na Alemanha, país que enfrenta uma das maiores escassezes de mão de obra qualificada da Europa. Segundo reportagem publicada pelo G1 neste domingo (15/02), hospitais, escolas e empresas de tecnologia vivem um apagão de talentos, enquanto o envelhecimento da população pressiona ainda mais o mercado de trabalho.

Em Chennai, na Índia, enfermeiras estudam alemão de forma intensiva por seis meses para conquistar vagas em hospitais alemães. Ramalakshi, uma delas, resume o sonho que move tantos profissionais: “Meu objetivo é trabalhar no exterior. Quero dar estabilidade financeira à minha família e construir minha própria casa.”

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Trabalhar na Alemanha exige resposta à crise demográfica

Trabalhar na Alemanha tornou-se estratégico porque a geração baby boomer está se aposentando, enquanto a taxa de natalidade permanece baixa. Além disso, economistas do Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB), em Nuremberg, estimam que o país precisa atrair 300 mil trabalhadores qualificados por ano apenas para manter o nível atual da economia.

“Sem eles, os alemães teriam que trabalhar mais horas, se aposentar mais tarde. Ou simplesmente ser mais pobres”, afirmou o pesquisador Michael Oberfichter.

Hospitais precisam de enfermeiros, escolas buscam professores e o setor de TI procura desenvolvedores. Portanto, a demanda por imigração qualificada se tornou urgente.

Trabalhar na Alemanha e os desafios da burocracia

Embora trabalhar na Alemanha represente oportunidade concreta, o processo pode ser lento. Zahra, iraniana formada no país, levou quase um ano para conseguir entrevista para mudar seu visto. Mesmo após seis anos e meio, ainda não obteve residência permanente.

Segundo o advogado Björn Maibaum, especializado em direito de imigração, seu escritório lida com cerca de 2 mil casos por ano. “Infelizmente, é a mesma situação em toda a Alemanha”, afirmou. A falta de digitalização e de pessoal nas autoridades migratórias provoca espera de meses ou até um ano.

Em meio a tensões políticas

Trabalhar na Alemanha ocorre em um cenário político sensível. Dados do Escritório Alemão para Migração e Refugiados mostram que cerca de 160 mil estrangeiros com autorização de residência são considerados trabalhadores qualificados. Entretanto, o aumento de pedidos de asilo e o debate sobre imigração impulsionaram o apoio ao partido Alternativa para a Alemanha (AfD).

Ainda assim, clínicas como a BDH, em Vallendar, contrataram cerca de 40 enfermeiras da Índia e do Sri Lanka nos últimos anos. O recrutamento pode custar entre 7 mil e 12 mil euros por profissional, e o processo leva até nove meses.

Apesar dos obstáculos, trabalhar na Alemanha segue sendo oportunidade real em uma economia forte, mas que precisa tornar sua cultura migratória mais ágil e acolhedora.