Em meio à disputa global por insumos estratégicos para tecnologia e energia limpa, Brasil e Índia assinaram no sábado (21/02), em Nova Delhi, um acordo que reposiciona as terras raras no Brasil no cenário internacional. Assim, o memorando estabelece cooperação em minerais estratégicos e busca estruturar uma cadeia alternativa à forte concentração chinesa nesse mercado.
O entendimento foi firmado entre o Ministério de Minas da Índia e o Ministério de Minas e Energia (MME). O tratado já está em vigor, terá duração inicial de cinco anos e será renovado automaticamente por períodos iguais, salvo rescisão.
Terras raras no Brasil na nova disputa global
A cooperação prevê investimentos recíprocos em exploração mineral, projetos greenfield e brownfield, além de infraestrutura de mineração, processamento industrial e reciclagem de materiais estratégicos. A proposta amplia o alcance produtivo e tecnológico dos dois países.
O Brasil detém a segunda maior reserva global desses elementos, atrás apenas da China. Assim, esse dado reposiciona as terras raras no Brasil no centro da disputa por cadeias de suprimento mais diversificadas e menos concentradas.
Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, afirmou que o acordo representa “um grande passo” para estruturar cadeias mais estáveis. Segundo o premiê, a iniciativa fortalece a segurança industrial indiana.
Minerais estratégicos e autonomia tecnológica
Esses insumos são essenciais para carros elétricos, painéis solares, inteligência artificial, defesa tecnológica e indústria aeroespacial. Nesse contexto, as terras raras no Brasil passam a ter peso estratégico, já que sem esses elementos a transição energética e a digitalização produtiva enfrentam limitações estruturais.
O interesse da Índia está ligado à redução da dependência chinesa, hoje dominante no refino e no fornecimento global desses materiais. Ao diversificar parceiros e ampliar o diálogo sobre as terras raras no Brasil, Nova Delhi busca fortalecer sua segurança energética e expandir sua base industrial.
Ao lado de Modi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que ampliar investimentos em energias renováveis e minerais estratégicos está no cerne do entendimento. Segundo Lula, a cooperação em torno das terras raras no Brasil coloca a tecnologia a serviço do desenvolvimento inclusivo.
O novo eixo das terras raras no Brasil
A implementação ficará sob responsabilidade do MME, comandado por Alexandre Silveira. Além da mineração, o pacto envolve transferência tecnológica, integração produtiva e fortalecimento da infraestrutura mineral.
Brasil e Índia mantêm parceria estratégica desde 2006 e integram o Brics. Durante a visita, Lula defendeu transações comerciais em moedas locais, embora tenha descartado a criação de moeda comum do bloco.
Ao consolidar as terras raras no Brasil como ativo estratégico, o país amplia sua relevância na reorganização industrial global. Além disso, em um cenário de disputa por autonomia tecnológica e energia limpa, controlar insumos minerais decisivos pode redefinir alianças e redes comerciais nos próximos anos.
