Categoria Cotidiano

Estudo aponta Brasil como principal beneficiado com nova tarifa de 15% dos EUA

Confira como a tarifa de 15% dos EUA reduz em 13,6 pontos percentuais as taxas médias sobre exportações brasileiras e reposiciona o Brasil no comércio internacional por 150 dias.

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Após a Suprema Corte dos Estados Unidos barrar o tarifaço anterior, o governo de Donald Trump redefiniu as regras de importação e reorganizou o acesso de produtos estrangeiros ao mercado americano. Nesse novo cenário, anunciado no sábado (21/02), a tarifa de 15% dos EUA deve reduzir em 13,6 pontos percentuais a alíquota média aplicada às exportações brasileiras, segundo levantamento da Global Trade Alert citado pelo Financial Times.

Antes da decisão judicial, formalizada na sexta-feira (20/02), o Brasil enfrentava tarifas médias de 26,3% sobre seus bens. Com a nova regra global de 15%, a média estimada cai para 12,8%, conforme o estudo citado pelo jornal britânico.

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Tarifa de 15% dos EUA altera competitividade

O novo regime substitui a taxa provisória de 10% e passa a valer a partir de terça-feira (24/2), com duração prevista de 150 dias. A tarifa de 15% dos EUA cria uma padronização tarifária e redefine o ambiente de comércio exterior com os Estados Unidos.

De acordo com a Global Trade Alert, o Brasil registra a maior redução proporcional entre as grandes economias exportadoras afetadas pela nova política. China (-7,1 pontos percentuais) e Índia (-5,6 pontos) também apresentam queda, mas em intensidade menor.

Nova alíquota americana e o efeito global

Enquanto exportadores emergentes ganham espaço relativo com a nova estrutura tarifária, países que haviam firmado acordos específicos enfrentam aumento da cobrança média. Reino Unido (+2,1 pontos), Itália (+1,7), Singapura (+1,1), Japão (+0,4) e Coreia do Sul (+0,6) aparecem entre os mais afetados.

Segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, nenhum parceiro indicou intenção de abandonar acordos após a decisão judicial que viabilizou a tarifa de 15%. Já o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou à CNN Internacional que todos os países consultados querem manter os compromissos firmados.

Leitura brasileira

No Brasil, o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin, avaliou que a medida foi positiva. “Ela foi positiva porque estabeleceu que a alíquota deve ser igual para todos”, declarou.

Alckmin acrescentou que a tarifa média de entrada de produtos americanos no Brasil é de 2,7%. Ele destacou ainda que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial e na balança de serviços com o país. Segundo o ministro, mesmo com a tarifa de 15% dos EUA, a igualdade na cobrança preserva a competitividade brasileira.

A reorganização das relações comerciais, embora temporária, muda o cálculo estratégico dos exportadores. Ao reduzir a diferença tarifária enfrentada pelo Brasil no mercado americano, a tarifa de 15% dos EUA redesenha a política comercial internacional em meio à disputa por acesso às grandes economias.