O primeiro transporte multimodal entre Brasil e Peru foi realizado na quarta-feira (11/02), com a chegada de uma carga de soja de Roraima ao porto de Yurimaguas-Nueva Reforma, no território peruano. Essa operação multimodal inédita combina trechos terrestres e fluviais e, assim, inaugura na prática um novo eixo logístico na Amazônia setentrional.
Além disso, o primeiro transporte multimodal consolida uma alternativa para o escoamento da produção agrícola do Norte brasileiro. Segundo comunicado da Agência de Promoção do Investimento Privado do Peru (Proinversión), a iniciativa confirma que a região pode operar como corredor estratégico, com redução de custos e conexão ao oceano Pacífico. Dessa maneira, a rota multimodal amazônica amplia o alcance comercial da região.
Primeiro transporte multimodal valida corredor amazônico
Ao integrar rodovias e hidrovias até o porto peruano, o primeiro transporte multimodal colocou em prática a articulação entre infraestrutura terrestre e fluvial. De acordo com a Proinversión, a operação “valida em campo a viabilidade de um corredor logístico alternativo” entre os dois países e, portanto, amplia opções para o intercâmbio comercial regional.
A agência também afirmou que o primeiro transporte multimodal fortalece mercados regionais e otimiza despesas com frete. Além disso, as declarações constam em comunicado oficial que destacou o potencial de integração logística amazônica entre Peru e Brasil. Nesse contexto, a operação multimodal inédita funciona como teste prático da articulação binacional.
Integração logística bioceânica avança com PPP
Paralelamente, o Peru estrutura a Hidrovia Amazônica 2.0, projeto preparado sob modelo de Parceria Público-Privada (PPP). A proposta prevê assegurar navegabilidade durante todo o ano, especialmente para cargas agrícolas, mercadorias regionais e comércio bilateral. Assim, a consolidação do primeiro transporte multimodal ganha base estrutural para se repetir em escala maior.
Entre os investimentos previstos estão os terminais portuários de Saramiriza e Sinchicuy, em Iquitos. O aporte estimado é de US$ 205 milhões (R$ 1,025 bilhão). Segundo a Proinversión, a estratégia prioriza a articulação funcional de projetos dentro do chamado Eixo Amazônico Norte, fortalecendo o corredor logístico integrado.
Além disso, o corredor se conecta à IIRSA Norte e ao Terminal Portuário de Paita, criando uma saída operacional para o oceano Pacífico. Dessa forma, o primeiro transporte multimodal passa a integrar uma engrenagem maior, voltada à ampliação do acesso a mercados internacionais.
Redesenho logístico
O primeiro transporte multimodal ocorre em um contexto de busca por rotas mais curtas e competitivas para exportação. Ao permitir que a produção do Norte brasileiro alcance o Pacífico, essa nova rota multimodal amazônica reduz a dependência exclusiva dos portos do Atlântico e, consequentemente, amplia o leque de destinos comerciais.
Embora o teste envolva soja de Roraima, a hidrovia será destinada ao transporte de cargas em geral, incluindo produtos agrícolas e mercadorias regionais. Portanto, a expansão do primeiro transporte multimodal tende a ampliar a integração econômica amazônica e estimular novos fluxos comerciais.
Por fim, no cenário sul-americano, a consolidação do primeiro transporte multimodal pode influenciar decisões futuras de investimento em infraestrutura, acelerar acordos logísticos e redefinir fluxos comerciais entre Brasil, Peru e Ásia, reposicionando a Amazônia no mapa estratégico do comércio continental.
