As novas descobertas em Stonehenge estão ampliando, de forma clara, a compreensão sobre a capacidade de organização das comunidades do Neolítico britânico. Nos arredores de Durrington Walls, arqueólogos confirmaram que um vasto anel de fossos escavados há mais de quatro mil anos constitui a maior estrutura pré-histórica já identificada na Grã-Bretanha. Assim, o famoso círculo de pedras passa a ser visto como parte de um sistema muito mais amplo.
Além disso, o estudo publicado na revista científica Internet Archaeology detalha a análise de pelo menos 16 fossos monumentais distribuídos em um círculo quase perfeito. Juntos, eles formam um traçado com mais de dois quilômetros de extensão e delimitam uma área superior a três quilômetros quadrados. Dessa forma, a paisagem ao redor de Stonehenge revela um planejamento territorial até então pouco compreendido.
Como a ciência confirmou as novas descobertas em Stonehenge
Para chegar a esse resultado, a equipe liderada pelo arqueólogo Vincent Gaffney, da Universidade de Bradford, combinou métodos científicos raramente aplicados de forma integrada. Entre eles, destacam-se a tomografia de resistência elétrica, a magnetometria, o radar de penetração no solo e a análise detalhada de sedimentos. Com isso, os pesquisadores identificaram padrões recorrentes impossíveis de serem atribuídos a processos naturais.
Paralelamente, as novas descobertas em Stonehenge ganharam reforço com o trabalho do arqueólogo Tim Kinnaird, da Universidade de St Andrews, que aplicou a datação por luminescência opticamente estimulada. Segundo ele, os dados indicam que os fossos foram escavados por volta de 2480 a.C., em um intervalo relativamente curto. Portanto, a evidência aponta para uma ação coletiva coordenada, realizada por comunidades que habitavam a região.
O que o anel de fossos revela sobre a sociedade neolítica
As novas descobertas em Stonehenge também ajudam a reconstruir o cotidiano dessas populações antigas. Por meio da análise de DNA ambiental, os pesquisadores identificaram vestígios de ovelhas, gado e plantas cultivadas nos sedimentos. Assim, o local não era apenas simbólico, mas integrado à vida econômica e social do período.
Nesse contexto, o professor Richard Bates, da Universidade de St Andrews, destaca que a precisão geométrica do anel revela domínio técnico e conhecimento da paisagem. Além disso, os pesquisadores interpretam a estrutura como uma fronteira simbólica associada a práticas cerimoniais em Durrington Walls, reforçando a dimensão ritual do território.
Horizontes positivos
Inseridas no Projeto Paisagens Ocultas de Stonehenge, essas pesquisas ampliam o entendimento sobre como sociedades pré-históricas moldaram o espaço ao seu redor. Desse modo, as novas descobertas em Stonehenge mostram que, muito antes da escrita, grupos humanos já transformavam a paisagem em expressão de crenças, pertencimento coletivo e visão de mundo compartilhada.
