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Definir limites de tela para crianças se tornou um dos maiores desafios da parentalidade contemporânea. Embora celulares e redes sociais estejam presentes cada vez mais cedo, especialistas ouvidos pelo Nexo Jornal alertam que o uso sem mediação pode comprometer sono, saúde mental e vínculos familiares. Por isso, mais do que proibir, o caminho passa por ensinar, acompanhar e proteger.
Os limites funcionam como uma base de segurança emocional. Segundo o psicólogo Rodrigo Nejm, do Instituto Alana, as plataformas digitais disputam atenção de forma intensa, o que afeta autoestima e bem-estar.
“Crianças não podem virar cobaias da indústria digital”, alerta o especialista.
Além disso, o cérebro infantil ainda está em desenvolvimento, sobretudo nas áreas ligadas ao autocontrole e à regulação emocional.
Limites de tela para crianças e maturidade digital
Estabelecer limites de tela para crianças não depende apenas da idade cronológica, mas da chamada maturidade digital. Para a psicopedagoga Claudia Alaminos, decisões compartilhadas tendem a gerar mais adesão.
“Quando as decisões são compartilhadas, em vez de impostas, a regra deixa de ter o tom de controle e passa a ser entendida como cuidado”, afirma.
Portanto, liberar o acesso por etapas ajuda a criança a aprender responsabilidades gradualmente.
Como aplicar limites de tela para crianças na prática
Na rotina familiar, os limites de tela para crianças precisam ser claros e consistentes. Especialistas recomendam acordos sobre horários, retirada do celular do quarto à noite e criação de zonas sem tela, como durante refeições. Além disso, o uso de ferramentas de bem-estar digital pode ajudar no controle do tempo. Dados do SUS mostram que, entre 2013 e 2023, os atendimentos por ansiedade cresceram 1.575% entre crianças de 10 a 14 anos, reforçando a urgência do cuidado.
Medidas exigem exemplo dos adultos
Os limites de tela para crianças só funcionam quando os adultos também mudam hábitos. Quando pais respeitam os combinados, a regra ganha legitimidade. Ademais, oferecer alternativas fora das telas — esportes, leitura e convivência presencial — reduz conflitos e fortalece vínculos. Assim, o digital deixa de ocupar todo o espaço da infância.
O objetivo não é isolamento tecnológico, mas equilíbrio. Instituições como o Instituto Alana defendem que adiar o acesso irrestrito aumenta as chances de uma relação mais saudável no futuro.
