Justiça climática indígena ganha política nacional e fortalece territórios

Confira como a justiça climática indígena ganha política nacional com o Programa Wahipaite, fortalecendo planos territoriais e adaptação climática.
Justiça climática indígena com Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas
Sonia Guajajara assinou a portaria que institui política nacional voltada à justiça climática indígena nos territórios brasileiros. (Foto: Reprodução)

Nos últimos anos, eventos climáticos extremos têm pressionado comunidades tradicionais a estruturarem respostas próprias e articuladas com o poder público. Nesse cenário, a justiça climática indígena passa a contar com uma política pública nacional voltada a fortalecer a preparação dos territórios diante desses riscos. O Governo do Brasil instituiu o Programa Wahipaite por meio da Portaria GM/MPI nº 33, assinada pela ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (26/02), formalizando a iniciativa em âmbito nacional.

Na prática, o programa cria instrumentos para planejar respostas locais às mudanças do clima, respeitando culturas, modos de vida e protocolos próprios de consulta. Isso inclui comunidades situadas tanto em áreas rurais quanto urbanas. Além do alcance territorial, há um efeito institucional que merece atenção.

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Justiça climática indígena organiza planos próprios de enfrentamento

Um dos pilares do programa é a elaboração dos Planos Indígenas de Enfrentamento às Mudanças Climáticas. Nesse contexto, os documentos deverão ser construídos com ampla participação das comunidades envolvidas e, posteriormente, poderão ser integrados aos instrumentos de gestão ambiental e territorial já existentes.

Além disso, os planos serão compartilhados com estados e municípios de referência, orientando a atuação do poder público na preparação e resposta a eventos climáticos. Na prática, esse detalhe altera a forma como as políticas climáticas chegam à ponta e dialogam com a realidade dos territórios.

Educação climática e articulação ampliam capacidade local

O Programa Wahipaite se estrutura em três eixos: educação e formação em políticas climáticas, implementação dos planos indígenas e articulação de iniciativas de adaptação. Dentro da lógica da justiça climática indígena, essa organização busca fortalecer a governança climática local e, ao mesmo tempo, estruturar estratégias voltadas à mitigação de impactos socioambientais.

Além da definição dos eixos, a coordenação ficará a cargo da Secretaria Nacional de Gestão Ambiental e Territorial Indígena, vinculada ao Ministério dos Povos Indígenas. Nesse arranjo, que dá base institucional à justiça climática indígena, a pasta poderá firmar parcerias com outros órgãos públicos, setor privado e sociedade civil para viabilizar as ações previstas.

Ao mesmo tempo, outro aspecto relevante é o reconhecimento do direito originário às terras tradicionalmente ocupadas e da diversidade étnica e territorial. Como parte desse modelo de justiça climática indígena, também estão previstos, de forma expressa, a promoção da equidade de gênero e a participação da juventude indígena nas decisões climáticas.

O que muda com a nova política

Ao estruturar a justiça climática indígena em âmbito nacional, o governo consolida um canal formal de integração entre conhecimento tradicional e políticas ambientais. Dessa maneira, tende a ampliar a previsibilidade institucional e a coordenação entre diferentes níveis de governo.

A consolidação do programa pode transformar planos locais em referência para políticas públicas mais amplas. Isso amplia a capacidade de resposta territorial frente à crise climática. Se houver participação efetiva e articulação federativa, a justiça climática indígena poderá se firmar como modelo de governança ambiental culturalmente adequada no país.

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Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com experiência em produção editorial e atuação em projetos de comunicação institucional e social. Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens e conteúdos informativos pautados por critérios de checagem, ética profissional e compromisso com temas de interesse público e impacto social.