Categoria Cotidiano

História da cartografia feminina mostra como mulheres desenharam o mundo

A história da cartografia feminina mostra como mulheres participaram da criação de mapas desde a Antiguidade até a era digital. Entre arte, ciência e tecnologia, essas trajetórias ajudam a entender como o mundo foi representado e interpretado.

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A história da cartografia feminina acompanha a própria forma como as sociedades aprenderam a representar o espaço ao longo dos séculos. Durante muito tempo, os mapas foram atribuídos majoritariamente a homens. Ainda assim, a cartografia feminina esteve presente em diferentes etapas do processo, desde o trabalho manual até decisões técnicas e políticas que influenciaram a leitura do território.

História da cartografia feminina na formação dos mapas

Registros históricos mostram que um dos primeiros exemplos da história da cartografia feminina data do século IV, na China da dinastia Han. Na ocasião, uma mulher bordou um mapa em seda, unindo técnica, arte e conhecimento espacial. Nos séculos seguintes, sobretudo entre os séculos XV e XVI, mulheres passaram a atuar de forma constante na produção cartográfica europeia ao colorir mapas e elaborar detalhes artísticos nas bordas. No entanto, muitas assinavam apenas com iniciais, o que dificultou o reconhecimento posterior de suas autorias dentro da cartografia feita por mulheres.

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Com o avanço da impressão no século XVIII, a história da cartografia feminina ganhou novos contornos. Nesse contexto, mulheres assumiram funções como a gravação de placas de cobre, a edição de mapas e a fabricação de globos. Já no século XIX, a cartografia passou a integrar a educação formal feminina na América do Norte. Assim, práticas como bordado, desenho e coloração se conectaram ao ensino da geografia e ampliaram o espaço dos mapas feitos por mulheres.

Cartografia feita por mulheres e avanços técnicos

No século XX, a história da cartografia feminina avançou para o campo técnico e científico. Durante a Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos, mulheres atuaram diretamente na produção de mapas topográficos, na interpretação de fotografias aéreas e no desenvolvimento da fotogrametria. Essas atividades sustentaram aplicações militares e científicas em larga escala e consolidaram a presença feminina na cartografia técnica.

Na década de 1950, a cartografia feminina também contribuiu para avanços conceituais. Evelyn Pruitt, do Escritório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos, criou o termo sensoriamento remoto para definir o uso de imagens na observação e no mapeamento da Terra. Ao mesmo tempo, a matemática Gladys West desenvolveu modelos matemáticos que serviram de base para os sistemas de posicionamento global, conhecidos como GPS, ampliando o alcance da cartografia feita por mulheres.

Na cartografia contemporânea, a história da cartografia feminina ajuda a compreender desafios que ainda persistem. Estudos indicam carência de dados geográficos sobre temas que afetam diretamente as mulheres, como saúde, segurança e cuidados cotidianos. Segundo análises acadêmicas, essa lacuna interfere tanto em políticas públicas quanto em respostas a situações de emergência.

Diante desse cenário, iniciativas como African Women in GIS, GeoChicas, Women in GIS e a Equipe Humanitária OpenStreetMap ampliam a presença da cartografia feminina no mapeamento digital. Por meio de formação técnica e redes profissionais, essas organizações fortalecem a produção de mapas mais atentos às realidades sociais.

Ao longo do tempo, a história da cartografia feminina revela como mulheres ajudaram a desenhar mapas, métodos e leituras do espaço. Por isso, reconhecer essas trajetórias contribui para uma cartografia mais diversa e conectada às necessidades do século XXI.sa e conectada às necessidades do século XXI.