Após mais de uma década de liderança do varejo tradicional no ranking global de faturamento, o equilíbrio entre as gigantes do setor mudou em 2025. A Amazon supera Walmart em vendas e encerra uma sequência de 13 anos da rival no topo ao alcançar US$ 716,9 bilhões em receita, alta de 12,4% em relação ao ano anterior, enquanto o Walmart somou US$ 713,2 bilhões no mesmo período como anunciou a varejista nesta quinta-feira (19/02).
Além da virada histórica, o avanço veio acompanhado de expansão de margens. O lucro líquido da Amazon atingiu US$ 77,7 bilhões, crescimento de 31,3% frente a 2024. Portanto, a liderança não se limitou ao faturamento: também refletiu ganho de eficiência operacional.
A base da receita ainda está na América do Norte, que gerou US$ 426,3 bilhões, alta de 10%. Contudo, foi a Amazon Web Services (AWS) que apresentou a maior expansão proporcional, crescendo 20% e alcançando US$ 128,7 bilhões.
Segundo a Bloomberg, a receita da Amazon cresceu dez vezes mais rápido que a do Walmart na última década. A agência atribui o resultado à migração do consumo para o e-commerce, ao fortalecimento da computação em nuvem e à ampliação do ecossistema digital da empresa.
Modelo digital amplia vantagem competitiva
A estrutura da companhia revela uma diversificação estratégica que ajuda a explicar por que a Amazon supera Walmart em vendas. Cerca de US$ 464 bilhões vieram de vendas online, lojas físicas e do marketplace com vendedores terceirizados. Além disso, mais de US$ 100 bilhões foram gerados por publicidade digital e assinaturas Prime, ampliando a previsibilidade de caixa.
A AWS, por sua vez, fornece serviços de armazenamento em nuvem, inteligência artificial e infraestrutura tecnológica para empresas e governos. Como resultado, tornou-se o principal motor de rentabilidade, ajudando a compensar margens mais apertadas do varejo e sustentando o ritmo que levou a Amazon a superar Walmart em vendas no consolidado anual.
O empresário Jeff Bezos fundou a Amazon em 1994 como livraria online. Segundo a Bloomberg, ele adotou estratégias inspiradas em Sam Walton, fundador do Walmart, especialmente na eficiência logística e na escala operacional, pilares que reforçaram a expansão global da companhia.
Enquanto isso, mais de 90% das vendas do Walmart continuam concentradas em lojas físicas e no comércio eletrônico próprio, o que mantém o modelo fortemente atrelado ao varejo tradicional e ajuda a dimensionar o contraste estrutural por trás do cenário em que Amazon supera Walmart em vendas.
Amazon supera Walmart em vendas em cenário de transformação
Mesmo após perder a liderança, o Walmart mantém força no mercado. A empresa superou US$ 1 trilhão em valor de mercado e transferiu sua listagem para a Nasdaq, sinalizando aproximação com o setor de tecnologia.
Nos Estados Unidos, as vendas trimestrais cresceram 4,6%, impulsionadas por famílias de classe média e alta.
O CEO John Furner afirmou que “o ritmo das mudanças no varejo está acelerando” e declarou que a empresa busca liderar essa transição.
Ainda assim, Amazon supera Walmart em vendas ao combinar logística integrada, serviços digitais, assinaturas recorrentes, nuvem corporativa e expansão internacional. A disputa agora ultrapassa o varejo físico: envolve tecnologia, dados e escala global. A liderança conquistada indica que o eixo do comércio mundial está cada vez mais digital.
