Os países da União Europeia aprovaram, provisoriamente, o acordo com o Mercosul nesta sexta-feira (09/01). Com isso, o bloco europeu avança em um processo de negociações que durou 25 anos. A decisão marca um passo relevante na integração comercial entre as duas regiões, embora ainda enfrente resistências políticas e sociais dentro da Europa.
A aprovação aconteceu depois que a maioria dos embaixadores dos 27 Estados-membros da UE concordou com grande parte do texto do acordo. Agora, a União Europeia deve concluir a confirmação formal dos votos, por escrito, até o fim do dia em Bruxelas.
Países contrários e divisão interna
Apesar do avanço, o acordo com o Mercosul não obteve unanimidade. França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria votaram contra a proposta, enquanto a Bélgica decidiu se abster. Nesse cenário, a França lidera a oposição ao tratado, sobretudo por causa dos possíveis impactos sobre o setor agrícola europeu.
Além disso, o presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou publicamente o voto contrário do país. Ao mesmo tempo, reforçou a posição do governo francês contra o acordo.
Próximos passos do acordo com o Mercosul
Com a aprovação provisória, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o acordo com o Mercosul já na próxima semana. O texto envolve Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. No entanto, para que o tratado entre em vigor, o Parlamento Europeu ainda precisa aprová-lo.
Por isso, essa etapa se mostra decisiva e tende a reacender o debate político, especialmente nos países onde a resistência ao acordo permanece mais forte.
De forma geral, analistas consideram o acordo com o Mercosul estratégico porque amplia a integração entre duas das maiores regiões econômicas do mundo. O tratado prevê a redução de tarifas e barreiras comerciais e, consequentemente, pode impulsionar exportações, atrair investimentos e diversificar as relações comerciais da União Europeia.
Para os países do Mercosul, o acordo amplia o acesso ao mercado europeu. Já para a UE, o tratado fortalece sua posição no comércio global e reduz a dependência de parceiros específicos em um contexto de instabilidade geoeconômica.
Resistência do setor agrícola europeu
Ainda assim, o principal foco de resistência ao acordo com o Mercosul segue nos setores agrícolas europeus, especialmente na França. Agricultores argumentam que o tratado pode gerar concorrência desleal com produtos sul-americanos, produzidos sob regras ambientais e sanitárias diferentes das exigidas na União Europeia.
Diante dessas críticas, o acordo inclui mecanismos de proteção para setores agrícolas sensíveis. Entre as medidas, estão regras que permitem suspender preferências tarifárias caso importações provoquem impactos negativos às produções locais.
Mesmo com a aprovação provisória, o acordo com o Mercosul ainda depende da finalização de salvaguardas, ajustes técnicos e do aval do Parlamento Europeu. Até que essas etapas sejam concluídas, o tratado deve continuar no centro do debate político e econômico dentro da União Europeia.
