O acidente no Porto de Santos registrado na segunda-feira (16/02) terminou sem vítimas, apesar da colisão entre um porta-contêineres e duas balsas no canal de navegação. O choque ocorreu por volta das 21h30 e levou quatro tripulantes a saltar no mar. Todos foram resgatados sem ferimentos.
Confira no vídeo o memento da colisão:
O cargueiro Seaspan Empire, de bandeira de Singapura, havia saído do Rio de Janeiro na sexta-feira (14) e manobrava no canal do Porto de Santos quando atingiu as embarcações FB-14 e FB-15. As balsas estavam sem passageiros e veículos. A ausência de usuários a bordo reduziu o risco coletivo. Ainda assim, o desfecho positivo dependeu de reação imediata. A investigação, contudo, traz questões técnicas relevantes.
Acidente no Porto de Santos com resgate coordenado
Equipes de praticagem atuaram rapidamente no canal de navegação e auxiliaram na retirada dos tripulantes da água. A Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) abriu apuração para esclarecer as circunstâncias. A Praticagem do Brasil informou que as balsas cruzaram a proa do navio “inadvertedidamente”, versão que será analisada.
Em uma área com circulação de navios de grande porte, rebocadores e embarcações de travessia, a comunicação marítima e o cumprimento de protocolos são determinantes. O episódio demonstrou que os mecanismos de segurança marítima funcionaram sob pressão. Para além da colisão Porto de Santos, o contexto estrutural amplia o debate.
Canal concentra carga internacional e fluxo urbano
A travessia entre Santos e Guarujá integra a rotina de cerca de 27 mil veículos por dia, segundo a Autoridade Portuária de Santos. O compartilhamento do espaço entre logística portuária e transporte diário exige coordenação constante.
O presidente da autoridade, Anderson Pomini, afirmou que o modelo atual não é adequado como rota logística permanente e defendeu o avanço do projeto do túnel imerso Santos-Guarujá, com obras previstas para começar no próximo ano. A proposta surge como alternativa para reduzir interferências entre cargas e mobilidade urbana. Ainda assim, o resultado desta semana traz um dado concreto.
Protocolos evitaram uma tragédia anunciada
Apesar da colisão entre embarcações, ninguém ficou ferido. As balsas permanecem fora de operação até avaliação técnica. Em um dos principais portos da América Latina, onde a densidade de manobras é elevada, o funcionamento dos protocolos de emergência foi determinante.
O acidente no Porto de Santos reforça que infraestrutura é essencial, mas treinamento, coordenação e resposta rápida também salvam vidas. Em um cenário de ampliação do comércio exterior e aumento do tráfego marítimo, investir em tecnologia de navegação, integração operacional e gestão de risco não é apenas medida preventiva — é política pública com efeito imediato e mensurável na proteção de trabalhadores e usuários do canal.
