Em um cenário corporativo marcado por incertezas, pressão por resultados e convivência entre gerações, a liderança situacional emerge como um dos modelos mais eficazes para equilibrar performance e bem-estar. Diferentemente de estilos rígidos, essa abordagem parte de um princípio simples e poderoso: não existe uma única forma correta de liderar, pois pessoas e contextos mudam constantemente.
A liderança situacional foi desenvolvida por Paul Hersey e Kenneth Blanchard em 1970 e defende que o comportamento do líder deve variar conforme a maturidade do colaborador em relação a uma tarefa específica. Assim, capacidade técnica e motivação tornam-se os principais critérios para definir o nível de direção ou autonomia necessário. Além disso, esse modelo reforça a importância da flexibilidade como competência-chave da liderança moderna.
Níveis de maturidade do colaborador
Na prática, a liderança situacional classifica os liderados em quatro níveis de maturidade. O nível M1 representa colaboradores sem conhecimento e com baixa confiança. Já o M2 indica disposição para aprender, embora ainda faltem competências técnicas. Enquanto isso, o M3 reúne profissionais tecnicamente capazes, mas com oscilações de motivação. Por fim, o M4 representa colaboradores competentes, confiantes e prontos para assumir responsabilidades de forma autônoma.
Para cada nível, a liderança situacional propõe um estilo específico. No E1 (Direção), o líder orienta de forma clara e supervisiona de perto. No E2 (Orientação), explica decisões e estimula o aprendizado. Já no E3 (Apoio), compartilha decisões e atua como facilitador. No E4 (Delegação), concede autonomia total, pois o colaborador já demonstra alta prontidão. Dessa forma, a liderança se torna mais precisa e humana.
Liderança situacional, desempenho e IA em 2026
Segundo especialistas, 2026 consolida a gestão orientada pelo desempenho, e a liderança situacional se torna estratégica nesse contexto. Pesquisas indicam que 95% dos executivos veem a tomada de decisão rápida e adaptável como principal diferencial competitivo. Além disso, empresas que desenvolvem líderes adaptáveis têm 2,4 vezes mais chances de superar seus concorrentes financeiramente. No Brasil, 68% dos líderes apontam o desenvolvimento de pessoas como prioridade máxima.
Além disso, a liderança situacional passa a integrar a inteligência artificial ao processo decisório. A IA generativa já apoia o People Analytics preditivo, ajudando líderes a identificar riscos de turnover e níveis de prontidão das equipes, enquanto o gestor decide quando delegar tarefas a sistemas automatizados ou direcionar o time humano.
Liderança situacional, gerações e desafios do modelo
A liderança situacional também ganha relevância diante da multigeracionalidade, pois permite alternar estilos entre a busca por autonomia da Geração Z e a necessidade de estrutura de gerações anteriores. Contudo, especialistas alertam para riscos como a sobrecarga do líder e a chamada “delargação”, quando tarefas são delegadas prematuramente, comprometendo resultados.
Em síntese, a liderança situacional se consolida como um modelo capaz de unir desempenho, propósito e adaptação contínua, tornando-se um pilar essencial da gestão contemporânea.
