O Brasil se prepara para iniciar os primeiros testes em humanos de uma vacina contra dependência de drogas estimulantes. No dia 10/02, durante agenda no Espírito Santo, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que a vacina contra crack e cocaína está na fase final de ajustes documentais antes da autorização dos ensaios clínicos com voluntários. Segundo ele, a etapa regulatória é o último passo antes da aplicação experimental em pessoas.
Batizada de Calixcoca, a tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Conforme o ministro, a fase atual envolve a organização dos documentos exigidos para liberar a etapa clínica, após resultados positivos em ambiente laboratorial.
Como funciona a vacina contra crack e cocaína
O coordenador do estudo, Frederico Duarte Garcia, explica que a vacina contra crack e cocaína estimula o organismo a produzir anticorpos específicos. Além disso, essas moléculas se ligam à droga na corrente sanguínea, impedindo que a substância atravesse a barreira que leva ao cérebro.
Com isso, segundo Garcia, o efeito psicoativo é bloqueado antes de atingir o sistema nervoso central. A proposta da vacina contra crack e cocaína não substitui outras abordagens terapêuticas, mas atua como apoio para pacientes em abstinência, reduzindo o risco de recaídas.
Antes de chegar a essa fase, a equipe conduziu testes pré-clínicos em animais. Assim, os pesquisadores classificaram os resultados como inovadores, e a tecnologia já garantiu patente nacional e internacional, indicando estágio avançado de desenvolvimento científico.
Imunizante brasileiro contra dependência química
Se concluir todas as fases clínicas com aprovação regulatória, a Calixcoca poderá se tornar, segundo o ministro Camilo Santana, a primeira vacina contra crack e cocaína com esse objetivo no mundo. Para ele, o imunizante tem potencial para “ser a primeira vacina antidoping do mundo e revolucionar o tratamento da dependência química”. O ministro fez a declaração durante evento oficial no Espírito Santo.
A eventual validação científica da vacina contra crack e cocaína colocaria o Brasil no debate internacional sobre novas estratégias de tratamento da dependência química, área que envolve saúde mental, políticas públicas e sistemas de reabilitação.
Em 2023, a pesquisa recebeu reconhecimento ao vencer o Prêmio Euro Inovação na Saúde, na categoria Destaque. A equipe conquistou 500 mil euros (cerca de R$ 2,5 milhões) em premiação concedida pela farmacêutica Eurofarma, que atua em 20 países.
Próximos passos da vacina
Agora, a vacina contra crack e cocaína depende da autorização regulatória para iniciar os estudos clínicos em humanos. Assim, essa etapa avaliará segurança, dosagem e resposta imunológica em voluntários.
Caso os resultados confirmem a eficácia observada na fase pré-clínica, a vacina contra crack e cocaína poderá ampliar o arsenal terapêutico disponível no enfrentamento ao uso de cocaína, crack e outras substâncias estimulantes, abrindo uma nova frente científica no campo da imunoterapia aplicada às drogas.
