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O início do ano letivo costuma trazer expectativas, mudanças de rotina e desafios emocionais. Nesse cenário, a saúde mental dos estudantes passa a integrar o processo educativo desde os primeiros dias de aula. Por isso, essa atenção se torna ainda mais necessária entre adolescentes que enfrentam cobranças acadêmicas e decisões sobre o futuro, o que afeta diretamente o bem-estar emocional dos alunos.
Saúde mental dos estudantes no ambiente escolar
Dados do Ministério da Educação indicam aumento expressivo nos atendimentos relacionados à saúde mental dos estudantes ao longo da última década. Além disso, a maior concentração aparece entre jovens de 15 a 19 anos. Nessa faixa etária, a saúde emocional dos jovens sofre maior pressão diante das demandas escolares e das expectativas por desempenho.
Pesquisas recentes mostram que, no período pré-universitário, ansiedade e sofrimento emocional se associam à pressão por resultados. Somam-se a isso a competitividade e a busca por aprovação em processos seletivos, conforme análise de Sharma e Nigam (2025). Como resultado, esses fatores interferem diretamente no equilíbrio emocional dos estudantes.
Além disso, o excesso de estímulos digitais e a dificuldade de equilibrar estudos, descanso e vida social ampliam o desgaste emocional. Nesse contexto, a saúde mental dos estudantes sofre impactos no dia a dia escolar. Consequentemente, o bem-estar emocional dos alunos e a qualidade de vida ficam comprometidos.
Segundo Katia Chedid, líder do departamento de governança educacional da Fundação Bradesco, a ausência de apoio estruturado compromete a qualidade de vida dos estudantes e sua saúde mental. Como consequência, o rendimento escolar também sofre impactos, o que reforça a importância de ações voltadas ao equilíbrio emocional dos estudantes.
Cuidado emocional integrado ao projeto pedagógico
Diante desse cenário, escolas têm buscado integrar o cuidado socioemocional às práticas pedagógicas para fortalecer a saúde mental dos estudantes. Nesse processo, a capacitação contínua de educadores amplia a capacidade de resposta diante de sinais de sofrimento emocional.
Assim, professores aprendem a reconhecer sinais iniciais de sofrimento emocional e a orientar os jovens de forma adequada. Dessa maneira, o bem-estar emocional dos alunos recebe atenção mais próxima. Para Katia Chedid, quando a saúde mental dos estudantes é tratada de forma transversal, a instituição amplia sua capacidade de acompanhamento e acolhimento.
Ao mesmo tempo, ações permanentes passam a fazer parte da rotina escolar e apoiam o equilíbrio emocional dos estudantes. Entre elas, rodas de conversa, dinâmicas de grupo e atividades de autoconhecimento ajudam a criar ambientes mais humanizados e com escuta ativa.
Essas iniciativas também fortalecem o diálogo entre alunos, professores e famílias. Com isso, as redes de apoio ligadas à saúde mental dos estudantes se ampliam. Dessa forma, o bem-estar emocional dos alunos passa a ser acompanhado de maneira mais próxima, dentro e fora da escola.
Compromisso contínuo
Ao incorporar o cuidado emocional à rotina escolar, a saúde mental dos estudantes deixa de ser um tema pontual. Assim, passa a integrar a formação integral, com atenção contínua ao equilíbrio emocional dos estudantes ao longo do ano.
Essa atuação contribui para o desenvolvimento de competências socioemocionais e fortalece a saúde emocional dos jovens. Com isso, os estudantes aprendem a lidar melhor com frustrações, pressões e incertezas próprias da vida escolar, preservando o bem-estar emocional dos alunos.
Na perspectiva educacional, investir no bem-estar emocional dos alunos amplia a conscientização e reduz a naturalização do adoecimento psíquico. Dessa maneira, a escola consolida seu papel não apenas como espaço de aprendizagem acadêmica, mas também como ambiente de cuidado humano contínuo, com foco permanente na saúde mental dos estudantes.
