A cientista que reverteu paraplegia e recolocou a ciência brasileira no centro da regeneração neural é Tatiana Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo a Marie Claire, sua rotina discreta de laboratório ganhou projeção nacional após os avanços com a polilaminina, proteína associada à recuperação de movimentos em pacientes com lesão medular.
Durante anos, Tatiana estudou a termodinâmica da associação de proteínas no Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. No entanto, esse trabalho, antes restrito ao meio acadêmico, passou a despertar interesse público no início de setembro, quando os resultados começaram a circular fora da universidade.
A cientista que reverteu paraplegia e a descoberta da polilaminina
A cientista que reverteu paraplegia lidera pesquisas sobre a polilaminina, uma versão polimerizada da laminina, proteína natural da matriz extracelular. Além disso, a substância é extraída da placenta e demonstrou capacidade de estimular neurônios que não se regenerariam espontaneamente.
Por isso, os estudos indicam que a polilaminina favorece a formação de novos axônios, responsáveis pelo transporte de impulsos elétricos. Na prática, isso representa uma possibilidade real de recuperação parcial ou total dos movimentos em casos de paraplegia e tetraplegia.
O caso que mudou uma vida
A cientista que reverteu paraplegia ganhou reconhecimento nacional após o caso do bancário Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos. Após um acidente de carro, ele recebeu diagnóstico de tetraplegia. Com o tratamento experimental, começou a recuperar os movimentos.
“Foi o que mudou minha vida”, afirmou Bruno, ao perceber que conseguia mover novamente o corpo.
Ainda assim, Tatiana reforça que cada paciente apresenta uma evolução distinta. Por isso, o acompanhamento pós-operatório permanece decisivo para os resultados.
Ciência brasileira, cautela e próximos passos
A cientista que reverteu paraplegia explica que a polilaminina oferece vantagens importantes. Como se trata de uma proteína, o risco de rejeição é menor. Além disso, ela não exige imunossupressores nem manipulações complexas.
Atualmente, o laboratório Cristália aguarda autorização da Anvisa para iniciar a fase 1 dos estudos clínicos com mais cinco pacientes. Os procedimentos devem ocorrer no Hospital das Clínicas do Rio de Janeiro e na Santa Casa. Essa etapa, portanto, costuma durar pelo menos três anos.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra cerca de 8,4 mil casos de trauma raquimedular por ano, principalmente entre homens na faixa dos 30 anos, vítimas de acidentes de carro. Nesse cenário, a pesquisa liderada por Tatiana fortalece a ciência nacional e reacende a esperança de milhares de famílias.
