Categoria Bem Estar

Gravidez deixa marca biológica permanente: como células das mães no corpo dos filhos moldam a imunidade

Milhões de células das mães no corpo dos filhos permanecem por décadas após a gravidez. Estudo revela como elas influenciam o sistema imunológico e podem estar ligadas a doenças como câncer e demência.

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Há uma herança invisível que vai muito além do DNA. Segundo reportagem da Super Interessante, milhões de células das mães no corpo dos filhos permanecem ativas mesmo após o parto, criando uma conexão biológica duradoura. Durante a gravidez, ocorre uma troca celular intensa entre mãe e bebê, e parte dessas células — chamadas microquiméricas — continua circulando pelo organismo por décadas, influenciando inclusive o sistema imunológico.

As células das mães no corpo dos filhos são resultado do fenômeno conhecido como microquimerismo. Durante a gestação, células maternas atravessam a placenta e entram na corrente sanguínea do bebê. Contudo, o movimento também acontece no sentido inverso, pois células fetais migram para o organismo materno.

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Embora o sistema imunológico costume atacar células consideradas invasoras, nesse caso ocorre uma tolerância imunológica surpreendente. Pesquisadores identificaram células microquiméricas em diversos órgãos humanos analisados. Além disso, algumas dessas células podem ter origem ainda mais distante, vindo de irmãos mais velhos ou até das avós maternas.

O que a ciência descobriu sobre as células das mães no corpo dos filhos

Um estudo publicado na revista Immunity investigou como as células das mães no corpo dos filhos conseguem escapar da resposta imune. Em experimentos com ratos, cientistas modificaram células imunes e observaram que um pequeno subconjunto de células maternas estava associado à produção de linfócitos T reguladores.

Esses linfócitos controlam excessos do sistema imunológico e evitam que o organismo ataque o próprio corpo. Quando os pesquisadores removeram esse grupo específico de células maternas, a tolerância desapareceu e as células microquiméricas foram eliminadas.

“A persistência dessas células estrangeiras provavelmente depende de um processo contínuo de treinamento do sistema imunológico”, apontam os pesquisadores.

Impactos na saúde

Ainda não se sabe com precisão qual é a função definitiva das células das mães no corpo dos filhos. Entretanto, estudos indicam possíveis ligações com câncer, doenças cardiovasculares, doenças autoimunes e transtornos neurológicos como a demência.

Portanto, compreender as células das mães no corpo dos filhos pode abrir caminhos para novas estratégias terapêuticas na imunologia e na medicina preventiva. Desvendar esse fenômeno é também entender como o organismo equilibra defesa e tolerância ao longo da vida.