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É possível usar IA para jogar xadrez? Pesquisadores descobrem

Saiba como a IA está mudando a percepção de criatividade no xadrez.

Pesquisadores da Universidade de Toronto (U of T), no Canadá, inovaram recentemente ao criar um novo modelo de inteligência artificial (IA) que entende como os humanos percebem a criatividade no xadrez. Utilizando técnicas avançadas como árvores de jogos e redes neurais profundas, a equipe permitiu que mecanismos de xadrez reconhecessem jogadas brilhantes, transformando a maneira como enxadristas interagem com a IA.

Desenvolvimento do modelo de IA

Em um artigo recente apresentado em uma conferência internacional, a Faculdade de Ciências Aplicadas e Engenharia da U of T detalhou o uso de técnicas para aprimorar os mecanismos de xadrez. A combinação de árvores de jogos e redes neurais profundas permite que a IA identifique jogadas não apenas vencedoras, mas também criativas e brilhantes.

Michael Guerzhoy, professor assistente de engenharia mecânica e industrial e coautor do estudo, explicou que o objetivo era fazer com que o sistema entendesse a percepção humana de brilhantismo no xadrez, diferenciando-a de uma simples vitória.

Abordagem diferenciada

Enquanto a maioria das pesquisas em IA no xadrez foca em maximizar as chances de vitória, a abordagem da U of T busca capturar a essência da criatividade humana. Jogadores habilidosos muitas vezes realizam movimentos que parecem arriscados ou contraintuitivos, como sacrificar uma peça para obter vantagem estratégica no futuro.

Kamron Zaidi, recém-formado em engenharia pela U of T e coautor do artigo, explicou que a equipe utilizou dois mecanismos de xadrez de rede neural: Leela Chess Zero e Maia. Esses mecanismos foram essenciais para criar árvores de jogo em diferentes níveis de profundidade, que foram então analisadas pela rede neural treinada com o banco de dados Lichess de jogos de xadrez online.

Metodologia e resultados

As árvores de jogo no xadrez representam o estado atual do tabuleiro e todos os movimentos possíveis. Os pesquisadores começaram com árvores menores, aumentando gradualmente o tamanho e a complexidade. A análise dessas árvores pela rede neural resultou em uma taxa de precisão de 79% na identificação de jogadas brilhantes, utilizando um conjunto de dados de teste.

O estudo, baseado na tese de graduação de Zaidi, foi apresentado na Conferência Internacional sobre Criatividade Computacional em Jönköping, Suécia. Guerzhoy destacou o interesse global na aplicação de IA para aprimorar a interação humana com a criatividade, tanto em jogos quanto em outras áreas como música e arte.

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Impacto e futuro da pesquisa

A pesquisa recebeu cobertura midiática e elogios de especialistas, incluindo o grande mestre do xadrez inglês Matthew Sadler, que vê potencial no uso do modelo como ferramenta de treinamento para profissionais e como um adversário mais interessante para amadores. Guerzhoy e sua equipe acreditam que seu sistema possui ampla aplicabilidade na percepção de criatividade e brilhantismo em diversos campos.

“O próximo passo óbvio é tornar possível que as pessoas joguem contra nosso mecanismo de xadrez brilhante”, afirmou Guerzhoy. A aplicação dessa tecnologia não se limita apenas ao xadrez, mas pode influenciar como entendemos a criatividade em outras disciplinas estruturadas por regras formais.

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